"Brexit": Escócia mais perto de um segundo referendo à independência

Gales e Irlanda do Norte também expressam dúvidas sobre a opção de sair do mercado comum.

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Nicola Sturgeon diz que um segundo referendo é provável após discurso de May RUSSELL CHEYNE/Reuters

Nicola Sturgeon, a chefe do governo de Edimburgo, queixou-se de que no discurso de Theresa May “não viu provas de que a voz da Escócia esteja a ser ouvida" e de que os interesses escoceses estejam a ser levados em conta. A opção de saída do mercado comum europeu é "economicamente catastrófica", afirmou a líder do partido independentista. 

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Nicola Sturgeon, a chefe do governo de Edimburgo, queixou-se de que no discurso de Theresa May “não viu provas de que a voz da Escócia esteja a ser ouvida" e de que os interesses escoceses estejam a ser levados em conta. A opção de saída do mercado comum europeu é "economicamente catastrófica", afirmou a líder do partido independentista. 

“Não se pode permitir que o Governo do Reino Unido nos retire da União Europeia e do mercado comum, independentemente do impacto na nossa economia, empregos, padrão de vida e na nossa reputação como um país aberto e tolerante, sem que a Escócia tenha a possibilidade de escolher um futuro diferente”, declarou Sturgeon.

Entrevistada pela BBC na sequência do discurso da primeira-ministra Theresa May, Nicola Sturgeon considerou “inevitável”, a realização de um segundo referendo sobre a independência da Escócia. “Com os seus comentários de hoje, a primeira-ministra só conseguiu que essa escolha seja mais provável.”

Em Setembro de 2014, a Escócia referendou a saída do Reino Unido, mas o “não” à independência ganhou por 55,3%. O "sim" obteve apenas 44,7%. No entanto, no referendo de Junho passado sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, os escoceses votaram em em maioria (62%) pela permanência, com apenas 38% a votar pela saída.

Theresa May disse que o reforço da união do Reino Unido é um dos objectivos do processo de saída da União Europeia. Mas pelas reacções de Edimburgo, Cardiff e Belfast ficou claro que essa não vai ser uma tarefa fácil. “A manutenção da nossa preciosa unidade está no centro de tudo o que fazemos”, disse a primeira-ministra britânica, e as regiões “devem estar totalmente envolvidas no processo”.

O Governo escocês já repetiu que irá voltar a votar uma secessão do Reino Unido caso os interesses da Escócia sejam ameaçados pelo chamado "hard Brexit" e a linha vermelha seria a saída do Reino Unido do mercado comum em que pessoas, bens, capitais e serviços podem circular sem entraves.

Do País de Gales, o líder do Governo de Carwyn Jones disse que nada deve ser feito que “dificulte a capacidade” das empresas galesas exportarem.

“Ninguém quer ser despedido ou cortar o seu próprio salário”, disse Jonathan Edwards, porta-voz do partido Plaid Cymru que apoia o governo de Cardiff, sublinhando que a economia local depende das exportações. “Isolarmo-nos do mercado único será desastroso.”

Da Irlanda do Norte, a preocupação vem com o tipo de fronteira que terá a ilha que junta as duas Irlandas, uma dentro e outra fora parte da UE.

A Irlanda do Norte está num período de paralisia política após a queda do governo em que a católicos e protestantes partilhavam o poder, mas o Sinn Féin reagiu dizendo que a saída da união aduaneira cria “uma fronteira real [com controlos fronteiriços] na ilha da Irlanda” – apesar de May o recusar.

Esta hipótese traz muito mais questões do que as materiais: para além de prejudicar a economia pode escalar tensões e até ameaçar um regresso do conflito sectário, diz a correspondente do New York Times em Belfast.