Um investigador no activo, um artista em pausa

Miguel Ramalho Santos vive nos EUA há 19 anos.

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Miguel Ramalho Santos no seu laboratório nos EUA DR

Tem 44 anos e está há 19 nos EUA. Foi para o outro lado do Atlântico fazer o doutoramento em Harvard e, há 13 anos, tornou-se professor associado da Universidade da Califórnia. Hoje, Miguel Ramalho Santos tem o seu próprio laboratório: o Santos Laboratory, em São Francisco, onde coordena sete pessoas.

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Tem 44 anos e está há 19 nos EUA. Foi para o outro lado do Atlântico fazer o doutoramento em Harvard e, há 13 anos, tornou-se professor associado da Universidade da Califórnia. Hoje, Miguel Ramalho Santos tem o seu próprio laboratório: o Santos Laboratory, em São Francisco, onde coordena sete pessoas.

Em Portugal, licenciou-se em Biologia e fez mestrado em biologia celular, na Universidade de Coimbra. Já está longe há muitos anos, mas nem por isso deixa de ter contacto com o seu país. “Vou lá todos os anos”, disse-nos ao telefone. Vem a seminários, a palestras e tem colaborado com o irmão João Ramalho Santos, também investigador, neste caso no Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra.

Além disso, vê com bons olhos o que considera a “recuperação” do desenvolvimento científico de Portugal. Por enquanto, diz estar “bem instalado” nos EUA, mas nunca recusa manter o contacto: “Se houver uma proposta aliciante, participo nela ou mesmo noutro tipo de actividades no país.”

Além da investigação, tem um interesse especial pelas artes. Em Portugal, participou em grupos teatrais, como o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra e o grupo profissional A Escola da Noite, assim como num grupo de rock onde era o baterista. Já instalado nos EUA, também participou nos U Dig’em Trilobites, que já não existe. “Agora, essas actividades estão em animação suspensa”, brinca Miguel Ramalho Santos. Assiste a espectáculos, mas é difícil gerir o laboratório e participar em grupos musicais.

Se há algo que não deixa para trás, é a literatura e continua a escrever. Já publicou livros como o de ficção Cabo Norte, de 1998, e o romance Auto: Antologia Poética em Três Actos, de 2006.

E se a animação suspensa passasse para os seus livros, como seria? “É um tópico interessante. A poesia, por exemplo, está cheia de pausa e de suspensão.” Mas põe-se logo a imaginar mais coisas. “E que tal se um ser humano ficasse em animação suspensa durante a exploração no espaço? Assim não envelhecia.” Esta até poderá ser mais do que uma ideia. Miguel Ramalho Santos não nega que possa ser aplicada daqui a uns tempos: “Não me parece assim tão impossível. Quem sabe…” Na literatura e no cinema não faltam referências desta ficção, que agora ficou um pouco mais perto.