Universidade de Lisboa cria residências de estudantes em Entrecampos e na Ajuda

Tendo em conta o “défice grave” de alojamentos para universitários que existe em Lisboa, o reitor António Cruz Serra adianta que outros equipamentos vão surgir, através de concessões a privados.

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A Universidade de Lisboa, que tem “à volta de mil camas” para um universo de “quase 50 mil alunos”, está a desenvolver vários projectos para ajudar a mitigar o “défice grande” que existe a este nível na cidade. A construção de uma residência universitária na Ajuda e a conversão de uma antiga cantina junto a Entrecampos para o mesmo fim são algumas das iniciativas em curso. 

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A Universidade de Lisboa, que tem “à volta de mil camas” para um universo de “quase 50 mil alunos”, está a desenvolver vários projectos para ajudar a mitigar o “défice grande” que existe a este nível na cidade. A construção de uma residência universitária na Ajuda e a conversão de uma antiga cantina junto a Entrecampos para o mesmo fim são algumas das iniciativas em curso. 

Em relação à residência que vai ser criada no Polo do Alto da Ajuda, o reitor de Universidade de Lisboa começa por lamentar os muitos “atrasos” que houve na execução do projecto, anunciado pelo menos desde 2011. Em entrevista ao PÚBLICO, António Cruz Serra atribui-os à “burocracia” que é preciso vencer e à “falta de agilidade da administração pública” e considera que “isto é terrível, é preocupante para o país”.

Confessando estar “obcecado há três anos e tal” com o projecto da Ajuda, e deixando claro que “o dinheiro para fazer a residência” estava há muito assegurado, o reitor diz que “não tem sentido ter capacidade, precisar e demorar este tempo todo”. 

Críticas à parte, António Cruz Serra explica que a criação da residência universitária da Ajuda, que vai ter um total de 300 camas, representa um investimento de 6,5 milhões de euros. O projecto, acrescenta, será concretizado de forma faseada: numa primeira fase serão criadas 150 camas e instaladas diversas infra-estruturas, como lavandaria e salas de estudo, ficando as restantes camas reservadas para um segundo momento.   

A expectativa do reitor é que a primeira obra seja adjudicada ainda em 2016 e se prolongue por um ano. “Talvez no segundo semestre de 2017/208 tenhamos a residência a funcionar”, antecipa.

“Faz muita falta”, constata, sublinhando que pela sua experiência “à medida que se consegue disponibilizar novas residências, mesmo em sítios menos interessantes em termos de localização, o número de pessoas que tentam é muito maior do que o número de vagas”.

Por saber que assim é, a Universidade de Lisboa tem já outro projecto em desenvolvimento: o de conversão da antiga cantina 2 (na Avenida das Forças Armadas, junto a Entrecampos) numa residência universitária. “Está fechada desde 2011, 2012, e não precisamos como cantina. Temos capacidade instalada para toda a procura”, contextualiza António Cruz Serra.

“O edifício está num sítio excelente, no campus”, sublinha, reconhecendo ainda assim que “a sua remodelação é um desafio”. De acordo como o reitor, o projecto (que prevê a criação de cerca de 150 camas) “está acabado”, faltando agora concretizar passos como obter o licenciamento da Câmara de Lisboa e a aprovação da Direcção-Geral do Ensino Superior.

Mas os planos da Universidade de Lisboa não ficam por aqui: António Cruz Serra avança que é sua intenção avançar com outras residências universitárias, que sejam construídas e exploradas por privados. “Temos um défice grande em Lisboa e não temos capacidade de fazer tudo o que é necessário com investimento público”, justifica.

Esse modelo deverá ser posto em prática em breve, num edifício na Rua da Escola Politécnica, junto ao Museu de História Natural e da Ciência. “Tenho esperança de que o concurso para a concessão seja lançado dentro de um mês e meio, dois meses”, adianta o reitor.

Segundo explica está em causa um imóvel que “está muito degradado” e no qual funcionam ainda alguns serviços da Universidade de Lisboa. “Terá 70, 80 camas no máximo”, diz António Cruz Serra, que acredita que o privado ao qual a residência universitária for concessionada poderá rentabilizar o seu investimento através da instalação de “algum comércio na cave” do edifício.

“Estou convencido de que vai haver interessados, mas percebo que não é uma operação trivial”, afirma, reconhecendo que tudo seria mais fácil se estivesse em causa a construção de um edifício de raiz.

De uma coisa o reitor não tem dúvidas: “Que há mercado para termos muito mais residências, há com certeza”. Para demonstrar que assim é, António Cruz Serra lembra que a Universidade de Lisboa tem “quase 50 mil alunos” e que “a quantidade de alunos Erasmus é muito significativa”, fixando-se em cerca de 2500 alunos. Já o número de camas disponibilizado pela instituição, esse fica-se por cerca de mil.