Morreu o escritor alemão Hermann Kant

Autor de Aula tinha 90 anos e foi um dos mais conhecidos escritores da ex-RDA, cujo regime apoiou activamente.

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Hermann Kant é autor de cerca de 20 títulos DR

O escritor alemão Hermann Kant, cujo talento satírico o tornou célebre na antiga República Democrática Alemã (RDA), morreu este domingo aos 90 anos num hospital da região de Mecklenburg, informou Simone Barrientos Krauss, responsável da sua editora, a Kulturmaschinen.

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O escritor alemão Hermann Kant, cujo talento satírico o tornou célebre na antiga República Democrática Alemã (RDA), morreu este domingo aos 90 anos num hospital da região de Mecklenburg, informou Simone Barrientos Krauss, responsável da sua editora, a Kulturmaschinen.

Nascido em 1926 em Hamburgo, Kant mudou-se em 1940 com a família para Pachim, em Mecklenbug, e foi mobilizado no final da Segunda Guerra, tendo passado depois quatro anos como prisioneiro de guerra na Polónia.

Quando regressou, em 1949, estudou Germânicas na universidade Humboldt, em Berlim Oriental, e publicou o seu primeiro livro, Ein bisschen Südsee, em 1962, um volume de contos que já mostrava a influência da short story americana, e em particular de O. Henry, e que trazia à literatura da RDA um pouco frequente registo satírico e auto-irónico.

O seu romance mais conhecido é Aula, de 1965, que vendeu mais de meio milhão de exemplares e foi traduzido em diversas línguas. O livro foi muito bem recebido pela crítica na RDA, mas o célebre crítico literário (e sobrevivente do gueto de Varsóvia) Marcel Reich-Ranicki escreveu no semanário Zeit que Kant era “demasiado covarde para escrever a verdade sobre as relações humanas na RDA”.

Autor de cerca de vinte títulos, alguns deles adaptados ao cinema, Hermann Kant foi também um defensor convicto do regime comunista da antiga Alemanha Oriental, tendo sido responsável, enquanto presidente da Associação de Escritores da RDA – cargo no qual sucedeu a Anna Seghers – pela controversa expulsão de nove escritores tidos como críticos do Governo pró-soviético de Erich Honnecker, incluindo Kurt Bartsch, Stefan Heym ou Klaus Schlesinger.