Nos últimos dez dias foram encontradas 120 pessoas afogadas nas praias da Líbia

A rota mais mortífera no mundo encheu-se de cadáveres ao longo do último mês. Já morreram 4027 imigrantes desde o início do ano, a maioria no Mediterrâneo.

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Um dos corpos que deram às costas líbias ao longo de Julho. Conselho Municipal de Sabratha

Nos últimos dez dias foram encontrados 120 cadáveres nas praias de Sabratha, na Líbia, presumivelmente de pessoas afogadas enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo para chegar à Itália, segundo revelou esta terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), anunciando também que, com estes e outros corpos encontrados recentemente na costa líbia, aumentou para 3120 o número de imigrantes e requerentes de asilo afogados até ao final de Julho no Mediterrâneo: um aumento de 35% em relação ao último ano.

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Nos últimos dez dias foram encontrados 120 cadáveres nas praias de Sabratha, na Líbia, presumivelmente de pessoas afogadas enquanto tentavam cruzar o Mediterrâneo para chegar à Itália, segundo revelou esta terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), anunciando também que, com estes e outros corpos encontrados recentemente na costa líbia, aumentou para 3120 o número de imigrantes e requerentes de asilo afogados até ao final de Julho no Mediterrâneo: um aumento de 35% em relação ao último ano.

Os corpos encontrados nas praias líbias não viajavam em embarcações que as guardas costeiras líbia e italiana conhecessem. Acontece o mesmo com os 87 corpos descobertos a meio do mês de Julho e a outros 33 cadáveres encontrados dias antes, num sinal de como a rota migratória entre a Líbia e a Itália é mais mortífera do que a que faz a ligação entre a Turquia e a Grécia. A grande maioria de pessoas afogadas no Mediterrâneo morre aqui: uma em cada 23, segundo números das Nações Unidas.

“Recebemos estas informações das autoridades líbias com quem colaboramos”, adiantou nesta terça-feira o porta-voz da OIM, Joel Millman. Segundo ele, três quartos das mortes de imigrantes e requerentes de asilo no mundo acontecem no Mediterrâneo.

Só este ano morreram 4027 possíveis refugiados globalmente, 2692 pessoas na rota líbia e 383 que se afogaram entre a Turquia e a Grécia: esse fluxo caiu significativamente depois do polémico acordo assinado entre a União Europeia e a Turquia em Março deste ano.  

“Encaminhamo-nos para superar já o número total de mortes conhecidas em 2015”, explica à Al-Jazira Niels Frenzen, director do órgão de monitorização de fluxos de refugiados da Universidade do Sul da Califórnia.

No último ano, segundo dados da OIM, morreram 3771 imigrantes e requerentes de asilo no Mediterrâneo, a maioria, uma vez mais, entre a Líbia e Itália – 2892 pessoas –, num universo recorde de mais de um milhão de passagens. A organização revelou esta terça-feira que 257 mil pessoas o fizeram este ano.

Mas nem só no Mediterrâneo morrem possíveis refugiados. A OIM explica que o segundo local mais mortífero para deslocados em trânsito é o Norte de África, onde muitas pessoas – 342 até ao final de Julho – morreram às mãos de traficantes e “autoridades nacionais”, o que a organização diz ser um aumento nas mortes violentas nesta região. As contas da OIM encerram-se com a morte de pelo menos 64 requerentes de asilo na fronteira da Síria com a Turquia, a maior parte abatidos por militares turcos.

Ancara já foi acusada no passado de abater famílias sírias que tentam cruzar a fronteira, como denunciaram repetidamente agências humanitárias como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, embora o Governo turco recuse as alegações e prometa que a sua fronteira está aberta a qualquer sírio que deseje fugir da guerra.