BE quer reflectir sobre a praxe para criar alternativas

O Bloco de Esquerda quer retomar a discussão sobre as praxes académicas. Por isso organiza, a 20 de Maio, uma audição pública na Assembleia de República

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Bruno Lisita

Discutir sobre a realidade da praxe de hoje e criar alternativas de inclusão são os dois grandes objectivos da audição pública “Mala Praxis, Sed Praxis?” do Bloco de Esquerda (BE).

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Discutir sobre a realidade da praxe de hoje e criar alternativas de inclusão são os dois grandes objectivos da audição pública “Mala Praxis, Sed Praxis?” do Bloco de Esquerda (BE).

Luís Monteiro, deputado do BE e uma das principais vozes do combate às situações de violência na praxe, acredita que a questão "não é apenas um trabalho legislativo ou parlamentar". "É um trabalho no terreno que precisa de ser feito na criação de alternativas. E é nesse sentido que organizamos esta audição sobre praxes académicas”, conta ao JPN.

O Bloco não se contenta com o Projecto de Resolução, aprovado a 5 de Fevereiro pela Assembleia da República, que propunha cinco medidas para combater a violência nas praxes. Agora, o partido quer analisar os efeitos e reflectir sobre a questão.

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Luís Monteiro, deputado do BE, é uma das principais vozes do combate às situações de violência na praxe Ana Marques Maia

"Em primeiro lugar [queremos] fazer um levantamento e uma reflexão sobre a realidade da praxe hoje e que instrumentos de segregação, hierarquização e violência é que ela imprime na academia, na universidade e na sociedade”, explica Luís Monteiro. Depois, o esperado é que se crie um debate sobre propostas futuras em relação a esta temática.

Para isso, o Bloco de Esquerda apela à presença de toda a população, principalmente dos estudantes. "Queremos ouvir o povo e queremos ouvir quem está na universidade para nos relatar os seus episódios, as suas experiências, para termos instrumentos para pensar uma coisa diferente”, afirma o deputado do BE.

O Bloco acredita que esta intervenção está longe de ser apenas política e, por isso mesmo, não quer que o trabalho se fique pela parte legislativa, apostando também na incitação de uma discussão que, defende, precisa de existir. “É o início de um debate longo na sociedade portuguesa, que precisa de ser aberto”, concluiu o deputado.

A audição pública vai ter lugar na Assembleia da República, no Centro de Acolhimento ao Cidadão, a 20 de Maio, pelas 15h00. Elísio Estanque, sociólogo, Fernanda Câncio, jornalista, e Luís Monteiro vão ser os intervenientes introdutórios.