Comissão do Senado brasileiro aprova impeachment de Dilma

A Presidente brasileira pode ser suspensa do cargo, durante um período máximo de seis meses, já na quarta-feira.

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Dilma Rousseff ainda tenta evitar a destituição Evaristo Sá/AFP

Uma comissão especial do Senado brasileiro aprovou esta sexta-feira, por 15 votos a favor e cinco contra, o relatório do senador Antonio Anastasia que recomenda a instauração de um processo de destituição (impeachment) da Presidente Dilma Rousseff.

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Uma comissão especial do Senado brasileiro aprovou esta sexta-feira, por 15 votos a favor e cinco contra, o relatório do senador Antonio Anastasia que recomenda a instauração de um processo de destituição (impeachment) da Presidente Dilma Rousseff.

O mesmo relatório deve ser analisado já na quarta-feira no plenário do Senado e, se for aprovado por uma maioria dos senadores, Dilma será afastada da presidência da República por um período máximo de seis meses enquanto aguarda julgamento, também no Senado, e o seu vice-presidente Michel Temer assumirá o seu cargo e formará novo governo.

Desde a constituição da comissão do Senado, na semana passada, que se sabia que a aritmética dos votos era desfavorável a Dilma. O afastamento de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e principal arquitecto do impeachment no Congresso brasileiro, pelo Supremo Tribunal Federal na quinta-feira tinha siso um argumento usado pelos defensores de Dilma para pedir a anulação do processo. O advogado de Dilma no processo, José Eduardo Cardozo, avisou, disse numa última defesa perante a comissão, que irá recorrer ao Supremo para tentar anular o impeachment.

Os passos do "impeachment"

Na sessão desta sexta-feira, a senadora do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann pediu a suspensão dos trabalhos da comissão por o Supremo Tribunal ter reconhecido que Cunha cometeu desvio de poder enquanto parlamentar e presidente da Câmara dos Deputados, usando o seu cargo para fins ilícitos. O autor do relatório que recomenda o impeachment da Presidente, o senador Antonio Anastasia, do PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro), contestou que o processo estivesse comprometido por causa de Cunha, até porque “uma grande maioria” de deputados – 367 – votou no dia 17 de Abril a favor da instauração de um processo de destituição.