Líder da CGTP “respondeu bem” às circunstâncias difíceis

Depois de lhe terem dado voto em branco em 2012, minorias da CGTP reconhecem que Arménio Carlos esteve à altura das circunstâncias.

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O primeiro mandato de Arménio Carlos ficou marcado por uma oposição forte ao Governo de Passos Coelho Rui Gaudêncio

Quando chegou à liderança da CGTP-Intersindical em 2012, Arménio Carlos não foi consensual. As correntes minoritárias da central sindical deram-lhe 28 votos em branco, penalizando-o por ter sido indicado pela tendência comunista e por pertencer ao comité central do PCP. Mas no discurso com que encerrou o congresso prometeu trabalhar com todos, tentando mostrar que os receios em relação ao seu posicionamento eram infundados.

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Quando chegou à liderança da CGTP-Intersindical em 2012, Arménio Carlos não foi consensual. As correntes minoritárias da central sindical deram-lhe 28 votos em branco, penalizando-o por ter sido indicado pela tendência comunista e por pertencer ao comité central do PCP. Mas no discurso com que encerrou o congresso prometeu trabalhar com todos, tentando mostrar que os receios em relação ao seu posicionamento eram infundados.

“Se porventura estão receosos, o tempo vai demonstrar que estão enganados”, disse numa entrevista ao PÚBLICO. Agora, passados quatro anos, dois dirigentes da tendência socialista e do Bloco de Esquerda reconhecem que esteve à altura das circunstâncias marcadas pelo programa da troika e por um Governo do PSD/CDS-PP que o aplicou.

“Na generalidade acho que [Arménio Carlos] respondeu bem”, resume Carlos Trindade, porta-voz da tendência socialista, acrescentando que o mandato do líder da central ficou marcado por um momento político que exigia “muita união e expressão pública”. 

“O Arménio Carlos como sindicalista é uma pessoa esplêndida para trabalhar”, conta Trindade. Mas, lembra, “não deixa de ser um membro da corrente comunista da CGTP e é no plano das ideias que temos os nossos debates”. “E não são poucos”, acrescenta com humor.

Também Francisco Alves, dirigente sindical com ligações ao Bloco de Esquerda, realça que, nos últimos quatro anos, o trabalho “foi muito exigente”, mas a CGTP e o seu líder “esteve à altura do desafio”.

O dirigente regista com agrado que Arménio Carlos “teve uma evolução no seu próprio posicionamento”. E conseguiu unir a central? “Tenho a percepção de que o Arménio, pertencendo à corrente maioritária e defendendo as suas perspectivas para o trabalho sindical e para a central, tem feito um esforço para congregar opiniões e para encontrar espaços de consenso”, destaca.

O primeiro mandato de Arménio Carlos, que será reconduzido para o segundo e último à frente da CGTP, ficou marcado por uma oposição muito forte ao Governo de Passos Coelho. Centenas de protestos, três greves gerais e duas grandes manifestações no Terreiro do Paço, em Lisboa, são alguns dos resultados que tem para apresentar.

A primeira manifestação foi marcada para o Terreiro do Paço e pretendia mostrar a capacidade de mobilização da central sindical. A 11 de Fevereiro de 2012 cerca de 300 mil pessoas desceram à principal praça da capital para protestar contra a pobreza e as desigualdades.

O Terreiro do Paço voltou a encher-se a 29 de Setembro de 2012, quando vários movimentos sociais se juntaram ao protesto da Intersindical contra as políticas de austeridade sobre os salários e as pensões.

Em 2013, a CGTP quis marchar contra a austeridade na Ponte 25 de Abril, mas foi impedida pelas autoridades, tendo feito uma travessia simbólica de autocarro, seguida de uma concentração em Alcântara.