Passos não quer agitação política, mas avisa: não contem com o voto do PSD

Líder social-democrata diz que votar contra o Orçamento do governo não é promover a instabilidade no país, é sim a democracia a funcionar.

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O chumbo anunciado do PSD ao Orçamento de Estado 2016 não é, garante Pedro Passos Coelho, uma tentativa de criar um clima de “agitação política”. É sim, frisou esta quarta-feira no Funchal, um processo normal em democracia.

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O chumbo anunciado do PSD ao Orçamento de Estado 2016 não é, garante Pedro Passos Coelho, uma tentativa de criar um clima de “agitação política”. É sim, frisou esta quarta-feira no Funchal, um processo normal em democracia.

“Não sou obrigado a concordar com o Governo, quem apoia o Governo é que deve criar condições para que ele governe”, disse o líder social-democrata, recusando que o sentido de voto da bancada do PSD tenha por objectivo a queda do executivo de António Costa. “Em democracia é normal não concordarmos uns com os outros”, apontou.

Passos Coelho repetiu na Madeira o que tem dito sobre os próximos quatro anos. “É importante para os países que haja estabilidade política, porque a estabilidade não é um fim em si próprio, é um meio para poder dar às políticas públicas e aos governos que governam, condições de governabilidade.”

“Não quero criar no país um clima de agitação, pelo contrário. Quando ganhei as eleições tentei negociar uma base estável para o Governo no parlamento, isso não foi possível”, disse, lembrando que Costa comprometeu-se perante os portugueses a ter um governo com estabilidade para poder governar. “Eu espero que possa garantir essa estabilidade, porque foi isso que o Dr. António Costa disse no parlamento e disse aos portugueses, e não estava a contar com o voto do PSD [no Oraçmento]”, acrescentou, no final de uma visita a um exploração agrícola no Funchal.

Antes, o presidente do PSD passou por Câmara de Lobos onde esteve numa empresa de Vinho Madeira, terminando a deslocação ao arquipélago na sede social-democrata, onde apresentou a recandidatura aos militantes madeirenses.

Acompanhado por Miguel Albuquerque, líder do PSD-Madeira e presidente do governo regional, e pela deputada Sara Madruga da Costa, que está com um processo disciplinar por, juntamente com os restantes dois parlamentares eleitos pelo Funchal, ter viabilizado, através da abstenção, o orçamento retificativo, Passos Coelho elogiou a relação entre as direcções nacional e regional do partido.

"Não há nenhum clima que não seja de paz e de boa relação entre o PSD nacional e o PSD da Madeira", frisou, desvalorizando o efeito que os processos disciplinares levantados aos deputados madeirenses possam ter no relacionamento entre as dois comissões políticas. Essa matéria, justificou, é de natureza jurisdicional, e acontece sem a intervenção da direcção nacional do partido.

Assim, e à porta fechada, os militantes do PSD-Madeira ouviram Pedro Passos Coelho candidato falar da importância para o país de um partido “reformista” e “gradualista” mesmo na oposição.

“Independentemente de estar na oposição, o país exige um PSD actuante, como só o PSD sabe ser em Portugal”, explicou aos jornalistas, dizendo que a mensagem que levou aos militantes madeirenses é a da necessidade de Portugal fazer “reformas importantes” para que nos próximos anos o ritmo de crescimento se possa intensificar.

“Isto só consegue atraindo mais investimento externo, criando um ambiente mais propício para as empresas poderem investir no futuro e com isso criar postos de trabalho cada vez mais melhor renumerados.”