Mais dinheiro privado e mais alunos em programa de combate ao abandono escolar

A apresentação dos mais recentes resultados da Associação EPIS - Empresários Pela Inclusão Social realizou-se em Lisboa na presença de Cavaco Silva. Este ano lectivo foi aquele em que a associação registou o maior crescimento de sempre.

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No universo de 18.103 alunos acompanhados desde o início, 1875 tornaram-se bons alunos. Público/Arquivo

Em síntese: este ano lectivo foi aquele em que a associação registou o maior crescimento de sempre. E isso foi possível porque o investimento aumentou muito no último ano, passando de 4,8 milhões para 7,2 milhões de euros, o que permitiu duplicar o número de alunos apoiados de forma a melhorarem o seu aproveitamento escolar: de 3766, no ano passado, a mais de 7500 este ano.  

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Em síntese: este ano lectivo foi aquele em que a associação registou o maior crescimento de sempre. E isso foi possível porque o investimento aumentou muito no último ano, passando de 4,8 milhões para 7,2 milhões de euros, o que permitiu duplicar o número de alunos apoiados de forma a melhorarem o seu aproveitamento escolar: de 3766, no ano passado, a mais de 7500 este ano.  

No total, a EPIS já acompanhou mais de 18 mil alunos, desde que foi criada em 2006. Nem todos passam de ano, ou melhoram resultados. No universo de 18.103 alunos acompanhados desde o início, 1875 tornaram-se bons alunos.

E esta foi uma das constatações que importou salientar, na apresentação dos resultados do projecto relativo ao ano escolar que agora terminou. A sessão realizou-se no antigo Museu Nacional dos Coches em Lisboa, na presença do Presidente da República, e serviu também para lembrar que a iniciativa nasceu nos primeiros meses do seu primeiro mandato, em 2006, quando, nas comemorações do 25 de Abril, Cavaco Silva lançou o apelo para um compromisso cívico de inclusão social. No final de 2006, o projecto já contava com o interesse de 112 empresários. Hoje, são mais de 350 as empresas associadas.

Cavaco Silva salientou a importância de se reconhecer “o mérito de um compromisso cívico” por uma causa – “a causa da educação e o direito de todas as crianças às mesmas oportunidades”, qualificando essa mesma causa como “a via privilegiada do combate à exclusão social”.

Passados nove anos de existência da EPIS, e em final de mandato, Cavaco Silva congratulou-se com aquilo que disse ser “um exemplo de associativismo empresarial e do modo como a sociedade civil sabe e quer responder quando é chamada a partilhar esforços e agregar vontades”. E concluiu: “Houve muitas participações financeiras e houve sobretudo trabalho, muito trabalho e muita dedicação” junto dos jovens “que são o futuro e que não podemos desperdiçar”.

Desde que foi criada em 2006, a tendência tem sido para o crescimento da EPIS que está agora presente em 30 concelhos (no ano passado estava em 19) e ajuda milhares de alunos a valorizar a escola, através da rede de mediadores – professores e voluntários que apoiam alunos no estudo e na percepção que têm da escola e das suas capacidades.

No conjunto, também foi possível mais do que duplicar, no ano passado, o número de mediadores disponíveis em 174 escolas e nove centros de formação: de 71 para 183 este ano. (Dos 167 mediadores da rede EPIS, 50 são do MEC, sendo os restantes apoiadas pelas empresas associadas. No conjunto, há também 16 mediadores são do Instituto do Emprego e Formação Profissional.)

O que distingue um mediador é “nunca desistir”, disse Rita Ribeiro, uma psicóloga que durante quatro anos acompanhou, como mediadora EPIS na Escola Básica e Secundária de Vilela, Paredes, a aluna Joana Bessa, entre muitos outros. “Podemos não transformar o mundo, mas podemos melhorar o mundo de alguém”, acrescentou frente a uma plateia de umas poucas centenas de pessoas. A aluna Aline Semedo também partilhou a sua experiência e como a ajuda, ao longo de três anos, de Sílvia Casaca, mediadora EPIS no concelho da Amadora, a transformou numa aluna “capaz de prestar atenção na aula e de organizar as horas de estudo de várias disciplinas”.