Alunos do 4.º e 6.º ano tiveram melhores médias nos exames de 2015

Português e Matemática com médias positivas nos dois anos de escolaridade. Resultados foram divulgados nesta terça-feira.

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Resultados dos exames subiram entre os 1,6 e os 3,7 pontos percentuais Nelson Garrido

Na prova de Português do 4.º ano a média foi de 65,6% (numa escala de 0 a 100) e o resultado a Matemática situou-se nos 59,6%. Em 2014, as médias tinham sido, respectivamente, de 62,2% e de 56,1%.

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Na prova de Português do 4.º ano a média foi de 65,6% (numa escala de 0 a 100) e o resultado a Matemática situou-se nos 59,6%. Em 2014, as médias tinham sido, respectivamente, de 62,2% e de 56,1%.

No 6.º ano, nas mesmas disciplinas, as únicas que têm exame nestes níveis de escolaridade, as médias foram mais baixas, mas mesmo assim melhores do que em 2014. A Português, a classificação média foi de 59,5% e a Matemática de 51%. Em 2014, os alunos conseguiram uma média positiva a Português (57,9%), mas ficaram-se pela negativa a Matemática (47,3%).

Numa nota enviada à comunicação social, o MEC frisa que, por comparação a 2014, se registou este ano “uma ligeira subida das classificações médias das duas provas finais em ambos os ciclos de ensino, com variações entre os 1,6 e os 3,7 pontos percentuais”.

“No geral, ao longo dos anos de aplicação plena destas provas, os dados apontam para uma tendência positiva de adaptação do sistema, tanto às novas metas, como à introdução das provas”, conclui o MEC.

As provas do 6.º ano estrearam-se em 2012 e as do 4.º ano em 2013. No 6.º ano os resultados de Português variaram, neste período, entre os 51% e 59,5%. E os de Matemática oscilaram entre 47,3% e os 59,6% deste ano. No 4.º ano, a estreia do exame de Português foi marcada por uma média negativa: 49%, o resultado mais baixo nestes três anos de exame. Matemática manteve-se sempre em terreno positivo, com as médias a oscilarem entre 57% e 59,6%.

Médias a subir
Olhando para os resultados deste ano com mais pormenor, o MEC revela, no seu comunicado, que no 4.º ano, que é o final do 1.º ciclo, "86% dos alunos obtiveram uma classificação igual ou superior ao nível 3 (numa escala de 1 a 5), enquanto na prova de Matemática a percentagem de alunos com esta classificação foi de 70%". No ano passado estas percentagens foram, respectivamente, de 81% e 64%.

Já no 6.º ano, final do 2.º ciclo, 77% dos alunos conseguiram positiva na prova de Português, uma percentagem que desce para 55% no exame de Matemática. Em 2014 os resultados foram piores, com 75% a conseguirem positiva a Português e só 46% a alcançarem o mesmo na prova de Matemática.

A escrita foi o domínio em que tanto os alunos do 4.º e do 6.º ano se saíram melhor, com 89% e 84% a conseguirem, respectivamente, nota positiva. Aos mais novos foi pedido que, a propósito do conto O Rouxinol, de Hans Christian Andersen, escrevessem uma história, com um mínimo de 90 palavras, na qual o pássaro devia pensar em recusar o convite do imperador para que cantasse para ele. No 6.º ano, com base no provérbio A alegria é um tesouro que vale mais do que o ouro, os alunos deviam escrever entre 140 a 200 palavras a propósito de uma descoberta, real ou imaginária, que lhes tivesse causado uma grande alegria. Nas provas deste ano passou a ser obrigatório utilizar a grafia do Acordo Ortográfico de 1990.

No 4.º ano, o domínio com menos positivas foi o da educação literária. E, no 6.º ano, o da gramática. No dia da prova, a nova Associação Nacional de Professores de Português tinha alertado que o “score de legibilidade” dos dois textos propostos no exame se situava “entre os níveis difícil e muito difícil”.

A associação considerou também que estes textos (o conto de Andersen e outro informativo sobre as aves) “exigiam o reconhecimento do uso metafórico de certos conceitos que, nitidamente, não estão definidos/previstos nos programas ou nas metas curriculares”. E chamou ainda a atenção para o facto de existirem dois exercícios, nas perguntas de interpretação, que “implicavam a escolha de mais do que uma opção certa”, o que pode gerar “alguns constrangimentos”, uma vez que “algumas crianças estão habituadas a escolher apenas uma resposta”.

A Associação de Professores de Português discordou desta apreciação e considerou que a prova foi “interessante para um aluno que tenha um desempenho médio na leitura e na escrita”.

Já sobre a prova do 6.º ano, ambas as associações estiveram de acordo em classificá-la como “acessível e adequada”.

No exame de Matemática, mais de metade dos alunos teve negativa no tema relativo à Organização e Tratamento de Dados, em que são convidados a analisar gráficos. Neste tema não foram avaliados os conteúdos leccionados no 4.º ano. O Instituto de Avaliação Educativa, responsável pelos exames, explicou esta opção pelo facto de a prova se realizar em Maio, antes do final do ano lectivo, o que podia limitar o ensino desta parte do programa.

Ainda no 4.º ano, o grupo com mais positivas foi o relacionado com Números e Operações. No 6.º ano registou-se precisamente o inverso: o grupo com mais positivas foi o da Organização e Tratamento de Dados, enquanto só 35% conseguiram positiva nos Números e Operações.

Segunda oportunidade
Os exames contam 30% para a classificação final dos alunos. Os outros 70% vêm das notas dadas pelos professores. Os alunos que foram dados como chumbados nas pautas afixadas nesta terça-feira poderão repetir as provas em Julho. Antes disso, as escolas terão de assegurar-lhes um período de acompanhamento extraordinário, que se inicia no dia 8 de Julho. Nesta 2.ª fase, a aprovação ou chumbo dependem apenas dos resultados obtidos nas provas. Para o presidente do Instituto de Avaliação Educativa, Hélder de Sousa, está é a única forma de garantir que tenham, de facto, “uma segunda oportunidade”.

“No básico, um aluno que tenha classificação positiva na avaliação interna ter 1 no exame é um facto muito pontual, representa 0,1% dos alunos. O que é que isso quer dizer? Ou que a sua classificação interna está inflacionada ou que naquele dia a prova lhe correu mal. E por isso é que é muito importante que a segunda fase seja completamente autónoma. Se correu mal, não faz sentido estar a depender outra vez da classificação interna para passar”, indicou ao PÚBLICO.