Morreu Girão Pereira, um dos “autarcas de referência” da história do CDS

O líder do partido, Paulo Portas, está a encontrar espaço na sua agenda para marcar presença no velório.

Foto
Girão Pereira numa foto de 1997 Bruno Rascão/Arquivo

Natural de Vouzela, Girão Pereira foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Aveiro eleito democraticamente. Tinha 37 anos, quando se sentou pela primeira vez na cadeira de presidente de câmara e manteve-se nesse cargo ao longo de 18 anos, vencendo sucessivas eleições autárquicas.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Natural de Vouzela, Girão Pereira foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Aveiro eleito democraticamente. Tinha 37 anos, quando se sentou pela primeira vez na cadeira de presidente de câmara e manteve-se nesse cargo ao longo de 18 anos, vencendo sucessivas eleições autárquicas.

Na década de 1990 foi deputado pelo CDS à Assembleia da República na VI legislatura e também deputado ao Parlamento Europeu – enquanto eurodeputado destacou-se por “defender muito os interesses de Portugal, sobretudo na área das pescas e agricultura”.

Em Fevereiro de 2010 foi condecorado com a Ordem de Mérito pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

Raul de Almeida, ex-líder da distrital do CDS-Aveiro, que há pouco mais de uma semana almoçou com Girão Pereira, elogia o trabalho que desenvolveu como presidente da câmara e classifica-o como um “autarca de referência”.

“Mantínhamos conversas regulares e apesar de ele já não estar na vida política activa, era uma pessoa que foi estando presente, mas com alguma discrição”, declarou ao PÚBLICO o também deputado do CDS, eleito pelo círculo de Aveiro. “Era uma pessoa com quem tinha uma grande identificação ideológica. Éramos ambos democratas-cristãos e acreditávamos na mais-valia da transposição da doutrina social para a actividade politica”, afirma o deputado, recordando o último almoço que teve com Girão Pereira, que teve o rio Vouga como pano de fundo. “Foi Girão Pereira que trouxe Aveiro para a modernidade”, declara Raul de Almeida, vincando que o seu nome “ficará para sempre na história da cidade de Aveiro”.

Antes de abraçar a vida autárquica, José Girão Pereira, que ascendeu à vice-presidência do partido quando Manuel Monteiro era presidente do CDS, iniciou a sua vida profissional como professor do ensino básico e secundário e, depois de completar o curso de Direito, foi delegado do Ministério Público no Tribunal de Aveiro.

O funeral ainda não tem data marcada, mas o presidente do partido, Paulo Portas, está a encontrar espaço na sua agenda para marcar presença no velório de José Girão Pereira, um “profundo humanista” nas palavras do deputado e ex-dirigente distrital democrata-cristão, Raul de Almeida.