Sérgio Rodrigues é o vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura com um romance sobre futebol

O brasileiro venceu com O Drible também na categoria de romance. O poeta português Gastão Cruz foi o vencedor na categoria de poesia e o brasileiro Everardo Norões na categoria de conto e crónica.

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O autor e a sua obra O Drible Nelson Garrido

No seu discurso de agradecimento, o escritor que tem dois livros publicados em Portugal (What Língua Is Esta, da Gradiva, e Elza, a Garota, da Quetzal), disse que considera o Prémio Portugal Telecom de Literatura “o grande prémio de literatura do Brasil” e desejou-lhe “vida longa”. Agradeceu aos colegas, que considera todos vencedores, pois é muito difícil chegar à lista de finalistas. Lembrou que se está a viver um “momento muito rico e muito legal da literatura brasileira” e defendeu que “nesse cenário” em que a literatura brasileira está a mudar de “ser secreta para ser mais conhecida e mais traduzida”, se devem continuar os apoios como o da Biblioteca Nacional brasileira, que tem bolsas para ajudar na tradução. E dedicou o prémio aos dois filhos que estavam na sala, Daniel e Clarice, bem como a sua mãe. Terminou, emocionado, com um “obrigado a todo o mundo”.

Como contava ao PÚBLICO na altura do Mundial no Brasil, o arranque do romance foi um lance falhado por Pelé no Mundial de 1970, na meia-final contra o Uruguai, que no Brasil é quase tão famoso como os golos do craque nesse campeonato que consagrou a melhor selecção brasileira de sempre.

O Drible foi o vencedor na categoria de romance, onde concorria também Matteo Perdeu o Emprego, do português Gonçalo M. Tavares, que já venceu este prémio duas vezes, A cidade, o Inquisidor e os Ordinários, do brasileiro Carlos de Brito e Mello, e ainda Opsanie swiata, da escritora brasileira Verônica Stigger.

O poeta português Gastão Cruz, com a obra Observação de Verão seguido de Fogo, foi o vencedor na categoria de poesia, onde estava também como finalista a escritora portuguesa Ana Luísa Amaral, com Vozes, e os poetas brasileiros Guilherme Gontijo Flores (com Brasa Enganosa) e Zuca Sardan (com Ximerix).

Depois de subir ao palco para agradecer o prémio, Gastão Cruz disse que via este prémio como “uma atenção especial dada à poesia portuguesa”. Lembrou que começou a publicar “no remoto ano de 1961”, que tem “53 anos de poesia publicada” e lembrou que a sua poesia surgiu num momento em que a poesia portuguesa conseguiu revitalizar-se com “um naipe extraordinário de poetas”, que enumerou: “Nos anos 40: Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade. Na década de 50: António Ramos Rosa, Mário Cesariny de Vasconcelos, Alexandre O’Neill. Na década de 60: Ruy Belo, Herberto Helder, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge. Foi com alguns destes autores que eu convivi muito de perto e com quem sinto grandes afinidades. Este prémio é também para toda essa poesia e, naturalmente, para estes autores que fazem parte de uma poesia extraordinária que é a portuguesa”, disse o poeta no seu discurso de agradecimento.

Na categoria mista de conto e crónica o vencedor foi o único livro de contos que estava a concurso. Entre Moscas, do escritor brasileiro Everardo Norões, que competia com três livros de crónicas: Asa de Sereia, do brasileiro Luís Henrique Pellanda, Nu, de Botas, do brasileiro Antonio Prata, e por fim Viva México, da escritora e jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho (cronista da revista 2 do PÚBLICO).

O vencedor do Grande Prémio recebe 50 mil reais (15 600 euros) aos quais junta os 50 mil reais (15 600 euros) a que também teve direito pela categoria romance - prémio que também é atribuido aos vencedores nas categorias poesia, conto e crónica. Todos concorrem depois ao Grande Prémio final.

O júri desta edição do prémio foi constituído por Selma Caetano (curadora-coordenadora); Cintia Moscovitch (curadora de contos/crónicas); Lourival Holanda (curador de romance); Sérgio Medeiros (curador de poesia) – e pelos seis jurados, eleitos pelo corpo inicial de jurados (João Cezar de Castro Rocha; José Castello; Leyla Perrone-Moisés; Luiz Costa Lima: Manuel da Costa Pinto; e Regina Zilberman). 
 

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No seu discurso de agradecimento, o escritor que tem dois livros publicados em Portugal (What Língua Is Esta, da Gradiva, e Elza, a Garota, da Quetzal), disse que considera o Prémio Portugal Telecom de Literatura “o grande prémio de literatura do Brasil” e desejou-lhe “vida longa”. Agradeceu aos colegas, que considera todos vencedores, pois é muito difícil chegar à lista de finalistas. Lembrou que se está a viver um “momento muito rico e muito legal da literatura brasileira” e defendeu que “nesse cenário” em que a literatura brasileira está a mudar de “ser secreta para ser mais conhecida e mais traduzida”, se devem continuar os apoios como o da Biblioteca Nacional brasileira, que tem bolsas para ajudar na tradução. E dedicou o prémio aos dois filhos que estavam na sala, Daniel e Clarice, bem como a sua mãe. Terminou, emocionado, com um “obrigado a todo o mundo”.

Como contava ao PÚBLICO na altura do Mundial no Brasil, o arranque do romance foi um lance falhado por Pelé no Mundial de 1970, na meia-final contra o Uruguai, que no Brasil é quase tão famoso como os golos do craque nesse campeonato que consagrou a melhor selecção brasileira de sempre.

O Drible foi o vencedor na categoria de romance, onde concorria também Matteo Perdeu o Emprego, do português Gonçalo M. Tavares, que já venceu este prémio duas vezes, A cidade, o Inquisidor e os Ordinários, do brasileiro Carlos de Brito e Mello, e ainda Opsanie swiata, da escritora brasileira Verônica Stigger.

O poeta português Gastão Cruz, com a obra Observação de Verão seguido de Fogo, foi o vencedor na categoria de poesia, onde estava também como finalista a escritora portuguesa Ana Luísa Amaral, com Vozes, e os poetas brasileiros Guilherme Gontijo Flores (com Brasa Enganosa) e Zuca Sardan (com Ximerix).

Depois de subir ao palco para agradecer o prémio, Gastão Cruz disse que via este prémio como “uma atenção especial dada à poesia portuguesa”. Lembrou que começou a publicar “no remoto ano de 1961”, que tem “53 anos de poesia publicada” e lembrou que a sua poesia surgiu num momento em que a poesia portuguesa conseguiu revitalizar-se com “um naipe extraordinário de poetas”, que enumerou: “Nos anos 40: Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade. Na década de 50: António Ramos Rosa, Mário Cesariny de Vasconcelos, Alexandre O’Neill. Na década de 60: Ruy Belo, Herberto Helder, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge. Foi com alguns destes autores que eu convivi muito de perto e com quem sinto grandes afinidades. Este prémio é também para toda essa poesia e, naturalmente, para estes autores que fazem parte de uma poesia extraordinária que é a portuguesa”, disse o poeta no seu discurso de agradecimento.

Na categoria mista de conto e crónica o vencedor foi o único livro de contos que estava a concurso. Entre Moscas, do escritor brasileiro Everardo Norões, que competia com três livros de crónicas: Asa de Sereia, do brasileiro Luís Henrique Pellanda, Nu, de Botas, do brasileiro Antonio Prata, e por fim Viva México, da escritora e jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho (cronista da revista 2 do PÚBLICO).

O vencedor do Grande Prémio recebe 50 mil reais (15 600 euros) aos quais junta os 50 mil reais (15 600 euros) a que também teve direito pela categoria romance - prémio que também é atribuido aos vencedores nas categorias poesia, conto e crónica. Todos concorrem depois ao Grande Prémio final.

O júri desta edição do prémio foi constituído por Selma Caetano (curadora-coordenadora); Cintia Moscovitch (curadora de contos/crónicas); Lourival Holanda (curador de romance); Sérgio Medeiros (curador de poesia) – e pelos seis jurados, eleitos pelo corpo inicial de jurados (João Cezar de Castro Rocha; José Castello; Leyla Perrone-Moisés; Luiz Costa Lima: Manuel da Costa Pinto; e Regina Zilberman).