Exposição ao grupo GES leva Montepio a registar provisões de 293 milhões

Instituição quis acomodar impacto negativo já nas suas contas do primeiro semestre.

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A 19 de Julho, o PÚBLICO noticiara que a exposição desta instituição financeira ao grupo GES estaria na ordem dos 200 milhões de euros.

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A 19 de Julho, o PÚBLICO noticiara que a exposição desta instituição financeira ao grupo GES estaria na ordem dos 200 milhões de euros.

Para além disso, existiria ainda mais risco nas seguradoras e fundos de investimento do grupo Montepio Geral.

Nos últimos anos, o grupo liderado por Tomás Correia fez várias aplicações naquele a que se chegou a chamar o "sistema GES": Banco Espírito Santo, Portugal Telecom e Ongoing. Uma ligação comercial que se acentuou entre as três empresas depois da crise financeira. Na sequência, os bancos passaram a ter uma maior exigência na concessão de crédito.

Apesar do aumento das imparidades e provisões, a instituição financeira registou um lucro de 11,9 milhões de euros neste primeiro semestre, o que contrasta com os 69,7 milhões de euros negativos dos primeiros seis meses de 2013. O Montepio destaca que houve uma "evolução muito positiva da margem financeira", que subiu 57,5% em termos homólogos para os 160,6 milhões de euros. Além de um aumento dos proveitos, a instituição sublinha o efeito da descida dos custos através da redução da "taxa de juro média dos depósitos e dos outros passivos".

A melhoria da margem financeira influenciou o produto bancário, que subiu 286,7 milhões para os 483,8 milhões de euros. Aqui, houve também um contributo positivo "das comissões de serviços prestados a clientes", no valor de 51,7 milhões, e "dos resultados de operações financeiras", que chegaram aos 275 milhões de euros.

Houve, no entanto, um outro suporte do lucro de 11,9 milhões de euros, já que o Finibanco Angola (que manteve a sua denominação após a compra do Finibanco) teve um resultado positivo de 5,3 milhões, "representando 44,4% dos resultados consolidados". Mesmo assim, o Finibanco Angola teve uma quebra de 14,1% face ao período homólogo de 2013.

O Montepio subiu os empréstimos em 1,7% (mais 281,4 milhões de euros), e captou mais 8,7% em depósitos, com destaque para as empresas (a subida global foi de 1149 milhões). Neste momento, o rácio de créditos/depósitos é de 108%, quando há um ano era de 117%.

"Em resultado da estratégia de diversificação do balanço, o crédito às empresas (excluindo construção) apresentou uma taxa homóloga de crescimento de 17%, ao passo que o crédito hipotecário continuou a sua trajetória descendente", afirma a instituição financeira, sublinhando que o crédito para habitação caiu 3,9% e o financiamento à construção desceu 18,6%.

Ao mesmo tempo, o Montepio diz que "a actual conjuntura económica continuou a ter um impacto negativo nos riscos da atividade financeira, traduzido no agravamento do incumprimento e dos rácios de risco de crédito". Assim, o saldo de crédito e juros vencidos cresceu 6,5%, "com o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias a situar-se em
6% e o rácio de crédito com incumprimento em 8,4%".

Não houve muitos bancos a apresentar resultados positivos neste primeiro semestre, que ficou marcado pelos prejuízos do BES, que levaram ao seu colapso. Olhando para os cinco maiores bancos a operar em Portugal, apenas duas instituições tiveram lucros, e três registaram perdas. O BCP apresentou prejuízos de 62 milhões de euros, valor que, no caso do BPI, foi de 106,6 milhões. As perdas dispararam no caso do BES para uns históricos 3577 milhões de euros. Somadas, as perdas atingem os 3745,9 milhões de euros. Já a Caixa Geral de Depósitos voltou aos números positivos, com um lucro de 129,9 milhões de euros entre Janeiro e Junho deste ano.

Em idêntico período do ano passado, o banco público tinha sofrido um prejuízo de 182,7 milhões de euros. Também o Santander Totta, de capitais espanhóis, teve um bom resultado, ao crescer 159,7% nos seus resultados semestrais, para 80,2 milhões de euros. 

Quanto ao Banif, a instituição financeira liderada por Jorge Tomé conseguiu diminuir os prejuízos, mas sem sair do "vermelho", ao revelar um resultado negativo de 97,7 milhões de euros (-196 milhões nos primeiros seis meses de 2013).