Festival Med, em Loulé, inaugura época de animação e cultura no Verão algarvio

As obras de reabilitação da zona histórica ainda não terminaram, mas o festival segue a matriz dos anos anteriores. O leque dos artistas estende-se do Japão ao norte de África.

Foto
Virgílio Rodrigues

As obras de reabilitação da zona histórica, onde decorre o festival, ainda não terminaram. Porém, a organização, a cargo do município, garante que “vai ser possível circular em cerca de 80% de toda a zona que foi intervencionada”. Carlos Carmo (adjunto do presidente da câmara) fala dos “concertos com história”, recordando não apenas o vasto leque de músicos internacionais que têm passado por este evento, mas os principais nomes da 11.ª edição do Med.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

As obras de reabilitação da zona histórica, onde decorre o festival, ainda não terminaram. Porém, a organização, a cargo do município, garante que “vai ser possível circular em cerca de 80% de toda a zona que foi intervencionada”. Carlos Carmo (adjunto do presidente da câmara) fala dos “concertos com história”, recordando não apenas o vasto leque de músicos internacionais que têm passado por este evento, mas os principais nomes da 11.ª edição do Med.

Os japoneses Turtle Island, diz, “prometem ser uma grande surpresa”. O agrupamento funde a música tradicional japonesa com a música indiana e música tradicional coreana, tudo conjugado com uma base punk rock. O palco da Matriz é onde actua esta banda, no dia 28. Na mesma noite, no palco da Cerca, Gisela João mostra a razão pela qual é considerada um dos grandes nomes da nova vaga do fado.

A música, diz Carlos Carmo, é pretexto para “mostrar a oferta cultural da cidade, em especial a zona histórica”, fundada no período de ocupação islâmica. As visitas às últimas descobertas do complexo de banhos islâmicos integram-se no programa do festival, que se desenrola pelas estreitas ruas do centro histórico. O cantor e guitarrista tuareg Omara “Bombino” Moctarin, também apelidado de “Hendrix do deserto”,  é outro dos nomes de destaque do cartaz, com concerto marcado para o dia 27, no palco da Matriz.

No capítulo da gastronomia, a dieta mediterrânica – elevada à categoria de Património Imaterial da Humanidade, através de uma candidatura apresentada por Tavira – vai ter um menu especial. Nove restaurantes preparam pratos com sabor a tradição. Desde as barrigas de atum grelhadas com cebolada à espetada de atum com tamboril, passando pela mousse de alfarroba, são várias as propostas, incluindo pratos típicos gregos. Nas artes plásticas, foi feito o convite a 17 artistas, portugueses e estrangeiros, para darem asas à imaginação, a partir de um manequim que lhes foi entregue. “O teatro dos sonhos”  é o tema a desenvolver nessas “telas”  expostas nas ruas.

Entrada grátis no primeiro dia
Os calceteiros ainda batem as velhas pedras medievais, recolocadas na rua após a remodelação da rede de águas e esgotos. A zona histórica desta cidade, à semelhança do que sucedeu um pouco por todo o lado, perdeu habitantes. Para inverter essa tendência foi desenvolvido um plano de reabilitação, que partiu da dinâmica social do Med para recuperar as memórias perdidas.

Com a contagem decrescente para o início do festival, aceleram-se os trabalhos e os arranjos nas ruas, que foram esventradas no Inverno, para remodelar a rede de água e esgotos. Os raios de sol batem nas paredes brancas do casario e, dessa forma, a luminosidade confere uma áurea artística ao rosto, transpirado, dos trabalhadores. A obra desenrola-se em direcção às Bicas Velhas, local onde outrora a população ia encher a  cantarinha para matar a sede. Os pedreiros aprumam lajes, dando forma a uma caleira que irá conduzir a água até ao chafariz, situado na zona baixa da cidade, a umas três centenas de metros de distância. A arquitecta Sofia Pontes, autora do projecto de reabilitação da zona histórica, procurou, com este elemento, valorizar a importância que água teve na evolução dos povos.  

Os electricistas estendem fios, carregam-se cadeiras e mesas para os restaurantes, o “corridinho” dos preparativos está em marcha. Os restaurantes, que só funcionam nesta ocasião, ainda não estão montados. Aparentemente, há atrasos. Porém, garante a organização, “está tudo a funcionar como o previsto, e este ano os artistas foram contratados logo em Janeiro”, diz Carlos Carmo, colocando especial enfâse na participação de dois cantores, oriundos do concelho – Nuno Guerreiro (Ala dos Namorados) e Dino d’Santiago. O primeiro dia é de entrada é grátis, os restantes três é de 12 euros/dia. O bilhete conjunto para os três dias fica por 30 euros. Bilhete diário família (dois adultos e duas crianças até 16 anos) é de 25 euros. 

Taxas urbanísticas reduzidas a 60%
Os proprietários que pretendam recuperar edifícios, situados na zona histórica, beneficiam de uma redução de 60% nas taxas urbanísticas. Esta medida foi tomada há cerca de três meses, a pedido de um município que solicitou o apoio autárquico para reabilitar um prédio degradado, localizado na zona especial de protecção, para aí instalar um espaço de formação profissional, centro de estudos e local de coworking (espaço de trabalho partilhado).  

O município decidiu alargar o benefício, concedendo redução de 60% no pagamento da emissão de alvará de construção ou demolição, alvará de ocupação de via pública e alvará de autorização de utilização. “A todos os casos idênticos será aplicada a mesma medida”, garantiu ao PÚBLICO o vice-presidente da Câmara de Loulé, Hugo Nunes, adiantando que está a “ser estudado pelo gabinete da Área de Reabilitação Urbana (ARU) um outro conjunto de incentivos ao investimento nas zonas históricas”.