Time Out Lisboa inaugura espaço gastronómico no Mercado da Ribeira

Conceito único no mundo promete agregar o melhor da capital num único tecto e tornar-se local de passagem obrigatório para lisboetas e estrangeiros.

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Aqui e ali vão-se limpando os quiosques e o chão e montando as mesas para nada faltar – se bem que o espaço só abra ao público no domingo às 12h. Neste sábado vai haver uma pequena festa para os fornecedores e patrocinadores para que possam descontrair após oito meses de construção e muita confusão. Abre agora e a tempo de receber as grandes festas em Lisboa – Final da Liga dos Campeões, Rock in Rio e os Santos Populares.

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Aqui e ali vão-se limpando os quiosques e o chão e montando as mesas para nada faltar – se bem que o espaço só abra ao público no domingo às 12h. Neste sábado vai haver uma pequena festa para os fornecedores e patrocinadores para que possam descontrair após oito meses de construção e muita confusão. Abre agora e a tempo de receber as grandes festas em Lisboa – Final da Liga dos Campeões, Rock in Rio e os Santos Populares.

“O nosso conceito é criar uma revista a três dimensões, ou seja, fazer deste enorme e fantástico edifício um sítio onde o visitante tenha o mesmo tipo de experiência que o leitor tem ao folhear a nossa revista”, diz João Cepeda, director da Time Out Lisboa. “Para fazer isso criámos vários espaços que têm capacidade de albergar os vários negócios que normalmente acompanhamos e avaliamos – temos uma parte ligada à gastronomia, vamos ter uma sala de espectáculos, vamos ter um bar, vamos ter uma loja grande e em todos estes espaços pretendemos receber o melhor da cidade.”  O responsável garante que irá haver barreiras definidas entre as suas decisões editoriais e a sua exploração do espaço.

Para além do espaço gastronómico no rés-do-chão do mercado, haverá também um espaço no primeiro piso, a abrir ainda este ano, em Setembro. Este será mais dedicado a actividades culturais, contendo uma sala de espectáculos capaz de sentar 300 pessoas e manter 600 de pé, uma loja grande, bar e restaurante. Enquanto este espaço não abre, a Time Out pretende organizar pequenos eventos culturais com artistas plásticos e músicos para animar as noites de Verão.

A parte tradicional do Mercado da Ribeira vai continuar com o horário normal, enquanto o espaço da Time Out vai abrir às 10h e fechar à meia-noite, excepto às quintas, sextas e sábados, em que se estenderá até às duas da manhã.

As empresas representadas foram ou propostas pela Time Out ou entraram através de um concurso feito pela revista, e prometem uma selecção variada de vários produtos e até “maneiras de comer”. O espaço conta ainda com 500 lugares sentados em área coberta e 250 de esplanada e haverá também em breve um posto de informação turística da Time Out Lisboa.

“Positiva” é a esperança de João Tunes, 57 anos, empresário do “Cacau da Ribeira”, que há anos está instalado na parte antiga do Mercado da Ribeira. Mas tem receios que o novo espaço não se consiga manter financeiramente estável. Sublinha a taxa da restauração a 23%: "Nnão se admite. Ainda se fosse a 6% ou 8%, era possível, mas a 23% vão ter margens mínimas, se se conseguirem aguentar. À gente aqui mal sobra para os salários”. Aponta também o preço da matéria-prima, e permanece céptico sobre se será possível aos quiosques no espaço manterem-se mais do que dois ou três anos antes de serem eventualmente substituídos por outros. Mas independentemente disso, acha que o espaço vai ser bom para todos na zona.

Anabela Soares, 49 anos, vai arrumando e empilhando caixas enquanto diz que também considera que o espaço vai ser bom. “Espero que tenham muita sorte e que ajudem a nossa área também”. Mas apontou que os mercadores têm andado a receber mais multas nas viaturas ultimamente. “É só vir cá dentro cinco minutos e já temos uma multazinha”, e que tem faltado espaço para estacionar, bem como carregar e descarregar mercadorias na área.

Tal poderá ser devido às obras do parque de estacionamento ali em frente, que por algum tempo também empatou a construção do novo espaço. Devido à descoberta de vestígios arqueológicos, foi impossível progredir com a construção do parque, e a Time Out só avançou com as obras no seu novo espaço quando foi confirmado que o parque de estacionamento ia acabar antes de este ser inaugurado.

O vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes, que tem a seu cargo os mercados que não transitaram para as juntas de freguesia, afirma que a cidade tem grandes expectativas para este “mercado top”.

“Esperamos que este se torne um novo marco em Lisboa e temos boas expectativas para a área”, afirmou ao PÚBLICO. Reforça que a câmara, ao contrário de outras situações semelhantes no panorama internacional, em particular Madrid, não expulsou os vendedores locais do Mercado da Ribeira, que já lá estavam e tinham direito ao espaço.

Menciona também o Mercado de Campo de Ourique, que tem uma exploração parecida, e refere ainda o Mercado do Forno do Tijolo e o seu FabLab, um espaço diferente dedicado à tecnologia e propriedade intelectual que esperam que se afirme como um “laboratório de ideias” estimulante do empreendedorismo local, estando as obras a terminar.

Texto editado por Ana Fernandes