Martifer promete manter salários nos Estaleiros de Viana

Presidente do grupo que ganhou a subconcessão dos estaleiros quer começar a contratar “logo após a assinatura do contrato”.

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Manifestação contra a extinção dos ENVC a 13 de Dezembro, em Viana do Castelo Paulo Pimenta

Em declarações ao Jornal de Negócios, o presidente da Martifer, Carlos Martins, afirmou: “Não vamos reduzir o salário às pessoas. É nossa intenção manter o mesmo nível salarial dos trabalhadores que viermos a contratar”. Serão, no entanto, avaliadas “as outras regalias que têm hoje” nos estaleiros navais, para que sejam “alinhadas pelas práticas da Martifer”, disse.

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Em declarações ao Jornal de Negócios, o presidente da Martifer, Carlos Martins, afirmou: “Não vamos reduzir o salário às pessoas. É nossa intenção manter o mesmo nível salarial dos trabalhadores que viermos a contratar”. Serão, no entanto, avaliadas “as outras regalias que têm hoje” nos estaleiros navais, para que sejam “alinhadas pelas práticas da Martifer”, disse.

Com a subconcessão dos estaleiros através da West Sea, que os trabalhadores contestam, é extinta a actual empresa pública, sendo despedidos mais de 600 trabalhadores através da holding estatal que tutela os ENVC, a Empordef. A Martifer, que tem a subconcessão dos estaleiros até 2031, pagando anualmente 415 mil euros, compromete-se a assegurar 400 postos de trabalho. No entanto, como o PÚBLICO já noticiou, as contratações estão dependentes da carteira de encomendas.

Os trabalhadores dizem que a única garantia que têm neste momento é a do despedimento. Ao Jornal de Negócios, o presidente da Martifer disse ser intenção do grupo recrutar “maioritariamente entre os que hoje trabalham nos estaleiros”. E fazê-lo “logo após a assinatura do contrato de subconcessão”, que terá lugar na sexta-feira.

Quando foi anunciada a extinção e o despedimento colectivos dos mais de 600 trabalhadores, o ministro da Defesa disse apenas ser expectável que a Martifer opte por contratar actuais trabalhadores de Viana, mas não deu garantias de que todos os 400 trabalhadores a recrutar pertençam aos quadros dos actuais estaleiros. Em entrevista à SIC no final de Novembro, José Pedro Aguiar-Branco dizia ser “natural que vá buscar, em prioridade, precisamente a Viana do Castelo e não a Madrid, Londres…”.

Em paralelo com o processo de subconcessão, os trabalhadores dos estaleiros continuam a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis. Nos últimos dias, 64 trabalhadores já assinaram acordos e mais de 150 comunicaram à administração dos ENVC a intenção de aderirem.

Segundo o Jornal de Negócios, o salário mensal médio nos ENVC foi, de acordo com o último relatório e contas, de 1022 euros, havendo mais de metade dos trabalhadores a ganhar 866,12 euros. O salário médio dos “profissionais altamente qualificados e chefias” ascendia a 1353 euros, refere o mesmo jornal.