Morreu Alcino Soutinho, o arquitecto da Câmara de Matosinhos

Associado à Escola do Porto, ficou principalmente conhecido como o autor da Câmara Municipal de Matosinhos, cidade onde projectou parte assinalável da sua obra.

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Nascido em Vila Nova de Gaia a 6 de Novembro de 1930, Soutinho mudou-se para o Porto ainda criança, acompanhando a família, mas, como arquitecto, haveria de ficar principalmente conhecido como o autor da Câmara Municipal de Matosinhos, cidade onde projectou parte assinalável da sua obra, e que viria a homenageá-lo com duas medalhas de mérito e o título de cidadão honorário.

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Nascido em Vila Nova de Gaia a 6 de Novembro de 1930, Soutinho mudou-se para o Porto ainda criança, acompanhando a família, mas, como arquitecto, haveria de ficar principalmente conhecido como o autor da Câmara Municipal de Matosinhos, cidade onde projectou parte assinalável da sua obra, e que viria a homenageá-lo com duas medalhas de mérito e o título de cidadão honorário.

“Santos da casa não fazem milagres”, comentou o arquitecto à Fugas, no início deste ano, no decorrer de uma visita guiada aos seus lugares de eleição no Porto, onde sempre teve o seu atelier, e onde a sua obra de maior realce foi o restauro e ampliação da Casa-Museu Guerra Junqueiro, um projecto não acabado de Nicolau Nasoni. “É a única obra institucional que tenho no Porto”, confidenciava o arquitecto, que, no entanto, projectaria para a cidade edifícios que marcam o perfil actual da secção poente da Avenida da Boavista, como o da Bolsa de Derivados.

Em 1985, foi distinguido com o prémio Europa Nostra pela adaptação da pousada do castelo de Vila Nova de Cerveira.
Formado na Escola Superior de Belas-Artes do Porto em 1957, Soutinho foi colega de Álvaro Siza, com quem partilhou o interesse por outras disciplinas, a pintura e escultura, que nunca abandonariam.

Em 1961, viveu em Itália usufruindo de uma bolsa da Gulbenkian para estudar museologia. No regresso, leccionou na ESBAP, e integrou o Comissariado para a Renovação Urbana da Área Ribeira-Barredo, no Porto.

Ainda que tenha obra espalhada pelo país, ficou sempre associado à Escola do Porto – mesmo se a certa altura foi “acusado” de cedência ao pós-modernismo: “É verdade que fui considerado, não direi um trânsfuga, mas um herético da Escola do Porto. Não é totalmente verdade. O que não fui foi um seguidor epidérmico da Escola. Mas os princípios, a interpretação do sítio, todos esses mecanismos que subjazem à Escola estão sempre nas coisas que fui fazendo, mas não de uma forma seguidista”, comentou para a Fugas. E considerava que a Escola do Porto tinha já acabado, depois de cumprido o seu papel. “Teve o seu princípio, o seu apogeu, e acabou naturalmente”.