Quiosque único de Lisboa corre risco de demolição

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O quiosque tem servido de lixeira e de tecto a um sem-abrigo miguel manso

Quem adquirir o único quiosque lisboeta em Arte Nova, abandonado há décadas, pode optar por reabilitá-lo ou demoli-lo

Durante cinco anos, a Junta de Freguesia da Lapa enviou ofícios à Câmara de Lisboa solicitando a reabilitação do centenário Quiosque da Estrela, no Jardim 5 de Outubro, também conhecido por Jardim da Burra. O quiosque estava há 20 anos preso num processo de partilhas e, há duas semanas, passou para a posse da câmara. No entanto, o concurso público que a autarquia promete lançar para a exploração do imóvel não salvaguarda a recuperação daquele que é o único quiosque de Arte Nova em Lisboa, deixando ao novo ocupante a decisão sobre o destino desta estrutura: a sua recuperação ou a demolição e substituição por um novo quiosque.

Com 103 anos, o Quiosque da Estrela tem propriedades arquitectónicas únicas, uma ornamentação e decoração com traços da Arte Nova, essencialmente em ferro forjado. Apesar de abandonado, o quiosque foi outrora propriedade do extinto jornal O Século, serviu de apoio a uma praça de táxis nas décadas de 1960 e 70 e foi abrigo do funcionário do ponto de abastecimento de combustível nos anos 90. Até à data, tem servido de refúgio a um sem-abrigo e é usado como lixeira.

Apesar da apropriação por parte da câmara já ter sido tornada pública, não foi possível averiguar quais as condições em que foi feita. Nuno Ferro, presidente da Junta de Freguesia da Lapa, revela que, apesar dos pedidos à autarquia para recuperar o quiosque, ainda não foi contactado pela câmara. "Apesar de sabermos que a câmara adquiriu o Quiosque da Estrela, continuamos sem resposta nenhuma oficial".

O autarca promete enviar hoje um ofício ao presidente da câmara e ao vereador de Espaços Verdes e Espaço Público, propondo-lhes que o concurso público fique com "uma cláusula que tenha a proibição expressa da demolição do quiosque e que salvaguarde a sua recuperação, mantendo os traços que o tornam um património único em Lisboa".