O golo de James chegou tarde mas foi justo

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James Rodríguez fez o golo da vitória do FC Porto Foto: Miguel Riopa/AFP

Depois de, no sábado, terem feito uma pálida exibição em Vila do Conde, os “azuis e brancos“ dominaram os franceses, que podem agradecer a Salvatore Sirigu — e aos erros portistas no remate — terem aguentado o 0-0 até ao minuto 83. O FC Porto mostrou o dinamismo que lhe faltou há seis dias e, com Fernando, Alex Sandro, João Moutinho e Varela em muito bom plano — pelo menos até os dois últimos rematarem à baliza —, não deixou o PSG assentar o seu jogo e ficar confortável na partida.

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Depois de, no sábado, terem feito uma pálida exibição em Vila do Conde, os “azuis e brancos“ dominaram os franceses, que podem agradecer a Salvatore Sirigu — e aos erros portistas no remate — terem aguentado o 0-0 até ao minuto 83. O FC Porto mostrou o dinamismo que lhe faltou há seis dias e, com Fernando, Alex Sandro, João Moutinho e Varela em muito bom plano — pelo menos até os dois últimos rematarem à baliza —, não deixou o PSG assentar o seu jogo e ficar confortável na partida.

Com um “onze” titular que custou 109 milhões de euros (e estavam mais 91 milhões no banco), o vice-campeão gaulês desperdiçou duas oportunidades de golo na primeira parte, ambas por Zlatan Ibrahimovic, o jogador-bandeira do novo projecto do PSG, mas também precisou de ajuda para as ter, pois surgiram apenas após dois erros do adversário.

O mais caro dos atletas escolhidos — e o reforço mais caro em França quando foi contratado — por Carlo Ancelotti foi um ex-portista, Thiago Silva, que passou a época 2004-05 nas reservas dos “dragões”. Curiosamente, dos jogadores que já passaram pelos dois clubes (Geraldão, Kenedy, Hugo Leal ou Cristian Rodríguez), o central brasileiro que foi comprado ao Milan por 42 milhões foi o que teve uma passagem mais discreta pelo Porto. Esta quarta-feira, tal como o resto da defesa parisiense, teve uma noite atarefada. Gregory van der Wiel foi, contudo, o que teve de suar mais. O lateral holandês viu-se no meio de uma dupla inspirada, Varela e Alex Sandro, que levou pela esquerda o jogo até á área dos visitantes.

Ancelotti, que não aposta muito nas alas, viu a sua equipa em apuros duas vezes nos primeiros cinco minutos antes de Ibrahimovic (12’), depois de uma má decisão de Helton, quase inaugurar o marcador. Nove minutos depois, o sueco teve outra oportunidade, com um toque de calcanhar aéreo que fez lembrar o espectacular golo que marcou à Itália no Euro 2004, também no Dragão. Mas Helton nunca mais teve de se aplicar como nesse lance e o encontro terminou com 20 remates do FC Porto (13 à baliza) e seis do PSG (dois).

Quando não estavam a ajudar a construir, Fernando, Lucho e Moutinho apareciam para cortar pela raiz as tentativas do adversário de passar para o contra-ataque, fase em que Ibrahimovic e Ménez se mostravam relativamente perigosos. Mas foi para a baliza de Salvatore Sirigu que as câmaras de televisão mais apontaram.

O italiano, um dos muitos jogadores que o Paris Saint-Germain foi buscar ao calcio, negou o golo a James Rodríguez, a Varela (isolado por Moutinho não teve calma para bater o guarda-redes) e a Christian Atsu, que revitalizou o lado esquerdo do ataque portista no último quarto-de-hora. O antigo atleta do Palermo só não teve resposta para o remate de primeira de James, um dos 173 jogadores que o FC Porto — o recordista de atletas diferentes usados na Liga dos Campeões — já utilizou na prova. O lance nasceu de mais uma iniciativa de João Moutinho, provavelmente o melhor em campo.

Desde que em 2011 foi comprado pelo grupo QSI (Qatari Sports Investments), do Qatar, o PSG tornou-se um dos clubes mais ricos do mundo — tem dinheiro até para contratar o melhor jogador de andebol do mundo, o dinamarquês Mikkel Hansen, e três campeões olímpicos para a sua equipa de andebol, que nunca foi campeã francesa —, mas não passou no primeiro verdadeiro teste, como lhe chamou a imprensa gaulesa. O FC Porto foi melhor e mereceu os três pontos.

PositivoMoutinho e James

O português não começou bem, com um remate para fora que deveria ter terminado em golo, mas fez um jogo enorme. Teve duas assistências não aproveitadas por Varela e Atsu e esteve na origem do único golo do jogo. O colombiano subiu muito na segunda metade.


Alex Sandro e Fernando

O esquerdino continua a ser o melhor lateral da equipa neste início de temporada. O médio, de regresso à titularidade, esteve sempre no sítio certo.


Sirigu

Adiou a derrota da sua equipa.


NegativoVan der Wiel

Muito trabalho, e nem sempre bem feito, perante Varela e Alex Sandro.


Notícia actualizada às 22h55