Os Verdes exigem recuperação do rio Tinto, um dos piores do Norte

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A linha de Gondomar do metro obrigou a alterações no traçado do rio Tinto paulo pimenta

Autoridade do sector da água admite que este afluente do Douro compete com o Leça pelo título de mais poluído da região

O Partido Ecologista Os Verdes quer saber se o Governo tem algum plano para, "a curto ou médio prazo", recuperar o rio Tinto, um afluente do Douro que tem sido apontado como um dos mais poluídos do Norte do país, a par do Leça. "Quanto tempo mais vão ter de esperar as populações para poderem usufruir do seu rio na forma natural", questionam Os Verdes num requerimento entregue esta semana no Parlamento e dirigido ao Ministério da Agricultura, que, no actual Governo, tutela também o Ambiente.

Poluído, entubado numa parte do seu percurso, desviado na cidade homónima do concelho de Gondomar para a construção da linha de metro, o rio Tinto, sem grande surpresa para muitos, foi notícia pelos piores motivos. No final de Março, o coordenador do Plano de Gestão das Regiões Hidrográficas (PGRH) do Norte disse à Lusa que os rios Leça e Tinto são os que apresentam pior estado no Norte de Portugal e estima-se que só em 2027 fiquem em "bom estado". "O Leça e o rio Tinto estão em mau estado, dada a pressão urbana e industrial à volta das massas de água, mas em 2021 podem já estar em estado razoável", afirmou António Jorge Monteiro, coordenador do PGRH do Norte e especialista em qualidade da água, considerando que em 2027 possam receber a classificação de "bom estado".

Mas 2027 é demasiado longe para Os Verdes, que, pela mão do deputado José Luís Ferreira, pedem um plano de curto, médio prazo", para este rio que desagua no Douro na zona oriental do concelho do Porto. E o mesmo é exigido pelo Movimento de Defesa (Move) do rio Tinto. "Não há nenhum projecto sustentável para o rio Tinto", disse à Lusa Paulo Silva, um dos responsáveis pelo Move Rio Tinto, criado há seis anos para dar visibilidade aos problemas ambientais que afectam este curso de água.

O movimento considera que os elevados níveis de poluição do rio devem-se ao "ineficaz tratamento do saneamento doméstico realizado numa ETAR obsoleta e incapaz de dar resposta à densidade populacional da freguesia" e à falta de tratamento dos afluentes agrícolas e industriais.

Cercado por betão

O Move Rio Tinto está contra o plano de recuperação do rio sugerido pela Câmara de Gondomar, a Águas de Gondomar e a ARH do Norte, que consiste na recuperação da ETAR, num investimento superior a quatro milhões de euros. O movimento refere que a obra não trará nenhuma alteração radical na instalação. "Teremos assim a continuação de uma ETAR de tratamento secundário, que emitirá um efluente que impedirá que a água do rio Tinto seja sequer utilizada como água de rega", contesta no seu blogue.

O curso de água, que nasce em Valongo e desagua no Douro, está há muito identificado como um foco de problemas ambientais, tendo, segundo Os Verdes, perdido grande parte da sua biodiversidade, "não só pelos elevados índices de poluição, mas também por as suas margens serem hoje de betão e, consequentemente, ter perdido as condições naturais ao desenvolvimento das espécies". Com Lusa