Hackers divulgam dados pessoais de 107 polícias de Lisboa e ameaçam toda a PSP

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Hackers acederam a dados pessoais de polícias, guardas e bombeiros Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

Os dados pessoais (nome, posto, número de identificação, local de trabalho e cargo desempenhado, número de telefone e contacto e-mail) de 107 polícias começaram a ser divulgados na noite de domingo. Ontem de manhã muitos polícias contactados pelo PÚBLICO, incluindo diversos sindicatos, desconheciam a eventual intromissão e violação da Rede Nacional de Segurança de Segurança Interna, sistema no qual se incluem ainda os dados pessoais de outras forças tuteladas pelo MAI, nomeadamente a GNR e os bombeiros. Feito o contacto telefónico para a assessoria de imprensa do ministério, não foi negada a quebra de segurança, mas recusaram fazer qualquer comentário sobre a situação.

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Os dados pessoais (nome, posto, número de identificação, local de trabalho e cargo desempenhado, número de telefone e contacto e-mail) de 107 polícias começaram a ser divulgados na noite de domingo. Ontem de manhã muitos polícias contactados pelo PÚBLICO, incluindo diversos sindicatos, desconheciam a eventual intromissão e violação da Rede Nacional de Segurança de Segurança Interna, sistema no qual se incluem ainda os dados pessoais de outras forças tuteladas pelo MAI, nomeadamente a GNR e os bombeiros. Feito o contacto telefónico para a assessoria de imprensa do ministério, não foi negada a quebra de segurança, mas recusaram fazer qualquer comentário sobre a situação.

No curto texto do Lulzsec Portugal é dito: "Em resposta às detenções e violência sobre civis desarmados iremos divulgar os dados de todos os agentes da PSP, esquadra a esquadra, indivíduo a indivíduo, a começar pela esquadra de Chelas". Para Hélder Andrade, presidente da Associação Sindical dos Oficiais da Polícia (ASOP), o texto em causa é motivo mais que suficiente para "pedir esclarecimentos à Direcção Nacional [da PSP]".

"O que posso adiantar é que esse pedido de esclarecimentos já está a ser encaminhado e que a Direcção Nacional, tendo sabido desde ontem [domingo] à noite do que se passava, terá pedido a todo o efectivo para ter especiais cuidados na abordagem deste problema", adiantou ainda o presidente da ASOP. Se Hélder Andrade tinha, de algum modo, informação relativa à quebra no sistema de segurança, o mesmo já não se passava com, pelo menos, mais quatro presidentes de outros tantos sindicatos policiais. Paulo Rodrigues, em representação da ASPP, Armando Ferreira, do Sinapol, Peixoto Rodrigues, do SUP, e António Ramos, do SPP, negaram todos, quando contactados pelo PÚBLICO, ter conhecimento da situação. "Não sabia. A confirmar-se só significa que o sistema informático é frágil", referiu Peixoto Rodrigues, enquanto que Armando Ferreira salientou "o perigo" que representa "uma tão grave falha na Rede Nacional de Segurança Interna". Todos os quatro presidentes manifestaram, entretanto, a intenção de questionarem a Direcção Nacional e o MAI acerca da ocorrência.

O PÚBLICO contactou ainda, telefonicamente, diversos polícias cujos nomes constam da lista de 107 agora divulgada. A maior parte não quis tecer qualquer comentário para a imprensa, enquantos outros, embora solicitando o anonimato, lamentaram a quebra no sistema, a qual poderá conduzir, dizem, a "situações perigosas". A maior parte dos polícias contactados (desde os que ocupam cargos de chefia até aos agentes que fazem serviço fardado nas ruas de Chelas e os que fazem notificações judiciais) entende que os esclarecimentos sobre a falha na segurança competem "à Direcção Nacional e ao MAI, que estão a investigar". Também a Direcção Nacional foi contactada, sem que tivesse prestado qualquer esclarecimento em tempo útil.

Os dados pessoais revelados dizem respeito a polícias da 14.ª esquadra, na Via Principal de Peões, da 16.ª esquadra, na Avenida João Paulo II, Zona J, e da 38.ª esquadra, na Rua Ricardo Ornelas, Lote 378 R/C A, Zona 1, em Chelas. Este bairro, integrado na 2.ª Divisão da PSP de Lisboa, é considerado um dos mais violentos do país.

15 de Outubro culpa polícias e Governo

O movimento 15 de Outubro, especialmente activo durante os protestos em frente à Assembleia da República, no dia 24, acusou ontem o Governo de estar "a criar uma narrativa de violência" uma vez que terá "empolado acontecimentos minúsculos" e quis "destruir a greve geral e dividir a conjugação de esforços criada". Em declarações ao PÚBLICO, o activista João Camargo não só endereçou responsabilidades ao Governo como disse ter provas (imagens) de polícias trajando à civil que durante a concentração fizeram incitamentos à revolta e que, posteriormente, reprimiram os manifestantes com violência.

João Camargo disse ainda desconhecer qualquer ataque informático à Rede Nacional de Segurança Interna, declarando que só ouviu falar do Lulzsec Portugal através de algumas iniciativas divulgadas na Internet. Hoje, pelas 12h30, o 15 de Outubro promove uma conferência de imprensa em frente ao MAI.