A primeira mulher chegou à Fórmula 1 por causa de uma aposta entre irmãos

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O acidente de Maria Teresa de Filippis no circuito da Boavista, em 1958 arquivo francisco santos

Maria Teresa de Filippis passou por Portugal e, aos 84 anos, recordou ao PÚBLICO alguns dos seus momentos nas corridas de automóveis. Um dos mais marcantes aconteceu no Porto

A história da Fórmula 1 tem um capítulo muito pequeno reservado às mulheres. Poucas tiveram a oportunidade (ou a ousadia ou a capacidade ou seja o que for) de conduzir um carro no mais importante campeonato automobilístico do mundo. A pioneira foi uma italiana, Maria Teresa de Filippis, que no fim-de-semana esteve em Portugal, a participar no Algarve Historic Festival, um encontro dedicado aos clássicos da F1.

Maria Teresa, que completa 85 anos em Novembro, é uma mulher de cabelos brancos que volta agora a Portugal, um país que tem um lugar especial na sua carreira de piloto. É que foi no circuito da Boavista, no Porto, que realizou a segunda das suas três corridas na Fórmula 1, em Agosto de 1958.

"Lembro-me que era um circuito muito difícil e perigoso. Tive um acidente tremendo, porque choquei contra um poste de iluminação", recorda Maria Teresa de Filippis, que fala ao PÚBLICO por telefone e com o marido, Theo Huschek, a servir de intermediário. Não só por causa da língua, mas acima de tudo pelas dificuldades auditivas desta ex-piloto, que perdeu a audição num dos ouvidos desde os tempos em que fazia corridas de automóveis. "Ela não só não ouve muito bem, como só ouve o que quer", brinca o marido, dando razão aos que falam de uma mulher com personalidade forte.

Essa forma de estar na vida, aliás, é em boa parte a explicação de ter sido pioneira num mundo que antes, durante e após a sua passagem pela Fórmula 1 sempre foi dominado por homens. "Ela começou a correr por causa dos irmãos. Um deles disse que ela só era boa a andar de cavalo e outro dizia que ela também seria boa nos carros. Por isso, fizeram uma aposta. Ela entrou numa corrida com o carro da família e ficou em segundo logo na primeira corrida, em Cava dei Tirreni. Na semana seguinte, ganhou uma corrida e decidiu que era o seu futuro", conta Theo Huschek.

Aos 22 anos, Maria Teresa começava o percurso que a levaria, algum tempo depois, a abrir uma página inédita na história da Fórmula 1. Em 1958, esteve no Mónaco mas não conseguiu a qualificação para o Grande Prémio. Poucas semanas depois, voltou a tentar a sorte na Bélgica, onde ficaria no 10.º lugar, numa corrida em que grandes pilotos, como Jack Brabham, Graham Hill e Stirling Moss, não chegaram ao fim. Foi a primeira vez que uma mulher terminou uma corrida na F1. De Filippis esteve depois em Portugal e em Itália, onde (sempre ao volante de um Maserati 250 F) não chegou ao fim. E, pelo meio, viveu "um dos momentos mais tristes" da sua vida.

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