Felipe Oliveira Baptista estreou-se em Nova Iorque

Foto
Repensar silhueta do Kessler studio

Na presença de alguns dos mais importantes nomes da imprensa do sector, dos que fazem e desfazem carreiras, Felipe Oliveira Baptista estreou-se ontem à frente da direcção criativa da Lacoste na Semana de Moda de Nova Iorque - uma das quatro grandes e sob segurança reforçada devido à ameaça terrorista.

O criador, que há um ano dizia ao PÚBLICO não se considerar "bandeira da moda portuguesa", mostrou a colecção Primavera/Verão 2012 e, assaltado por dezenas de jornalistas após o desfile, confirmou: "Mostrar em Nova Iorque é uma nova escala, bem maior do que aquilo a que estou habituado em Paris."

O açoriano reside em Paris há mais de uma década e integra o calendário oficial da Semana de Moda com a sua marca em nome próprio, apadrinhado no início da carreira pelo criador francês Jean-Paul Gaultier. O primeiro criador português a assumir a direcção criativa de uma casa de moda parisiense (e que já trabalhou com as italianas Max Mara e Cerruti, com a japonesa Uniqlo ou a Nike) encarou a necessidade de refrescar a imagem da marca dos pólos do crocodilo com "um enquadramento mental de design mais democrático".

Através do criador português, a Lacoste (presente em 114 países, lucro como grossista de 1400 milhões de euros em 2009) propôs sobretudo roupa e acessórios femininos. Este é um segmento de mercado que a marca quer ver crescer - visto que em 2010 representava, segundo o criador, apenas 15 por cento do seu volume de negócios -, com silhuetas que repensam a estrutura da roupa desportiva, do piqué dos pólos em jersey de seda aos vestidos de inspiração rubgy em cores sóbrias e estampados geométricos.

A Lacoste apresentou vários pólos para mulher, em versão sexy ou vestido. "É uma marca de sportswear e por isso muito masculina", diz Felipe Oliveira Baptista, que tem a direcção criativa de várias linhas da marca.

A Semana de Moda de Nova Iorque decorre de 8 a 15 de Setembro e inclui mais de 250 criadores. Todos os anos, atrai cerca de 115 mil pessoas, entre compradores, jornalistas, editores e profissionais de todo o mundo. Segundo dados de 2007, tem um impacto de 773 milhões de dólares por ano.