Prémio Camões atribuído em tempo recorde, por unanimidade e com alegria

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FERNANDO VELUDO/Arquivo

Os jurados portugueses sugeriram Pina, os restantes aplaudiram. Foi a celebração de um "grande poeta" que sempre escreveu para jovens sem perder o humor nem a complexidade

São 10h50 no Rio de Janeiro - 14h50 em Lisboa. O júri do Prémio Camões sentou-se há menos de meia hora nesta galeria no topo da Biblioteca Nacional. Reunião junto a uma janela, à vista dos funcionários, rumor de telefones e ar condicionado em volta, ambiente descontraído. Tudo às claras, só não se ouve o que os jurados dizem.

À cabeceira da mesa, extra-júri, o pianista Adriano Jordão, em nome do Instituto Camões. De costas, os portugueses Abel Barros Baptista e Rosa Maria Martelo, ao lado da angolana Ana Paula Tavares. De frente, os brasileiros António Carlos Secchin e Edla Van Steen, ao lado da são-tomense Inocência Mata.

10h55. Secchin levanta o polegar e sorri: fumo branco.

Abel Barros Baptista, que preside à mesa, levanta-se com o telemóvel na mão, marca um número e fala animadamente. Tudo indica, pois, que o vencedor seja um português, e de trato informal.

O que se segue confirma essa impressão: Abel passa o telefone a Rosa Martelo, que também fala a sorrir, e depois a Ana Paula Tavares, radiante.

Não restam dúvidas: o Prémio Camões 2011 não só foi decidido em menos de meia hora, como a decisão parece ser mais do que consensual, alegre.

Um compasso de espera em que todos se voltam a sentar, uma roda de cafezinhos, e a reunião acaba.

Rosa Martelo e Abel Baptista aproximam-se para dar a notícia ao PÚBLICO, único meio de comunicação presente. Chegados na véspera ao Rio, ainda não terão recuperado o sono, mas não podem ter um ar mais contente: "É o Manuel António Pina."

E sentam-se para redigir a pequena acta, finda a qual o nome pode ser divulgado.

"Foi, de longe, a reunião mais rápida desde que estou cá!", comenta Adriano Jordão. Conselheiro cultural na embaixada portuguesa em Brasília, vai no seu terceiro Prémio Camões. Enquanto a acta é escrita, dá conta do que mais se debateu na reunião, brevemente. "É recorrente dizer-se como é pena o Herberto Helder não aceitar..." E outros três autores portugueses foram ainda referidos, diz. Mas o nome de Manuel António Pina, de 67 anos, mais de 50 livros publicados, tornou-se logo consensual.

"Fico muito feliz, porque é um autor que actua em vários géneros", destaca o brasileiro Secchin. "É o cronista com actuação na vida diária [no Jornal de Notícias], é o autor de literatura infantil, é o poeta. Espero que o prémio seja um grande estímulo para que a sua obra seja publicada no Brasil. Consegui só em alfarrabistas a edição da poesia da Assírio & Alvim."

A outra jurada brasileira, Edla Van Steen, só conhece a poesia, mas revela que a hipótese