Quase 23 mil dos trabalhadores inscritos nos centros de emprego emigraram em 2010

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Muitos portugueses vão do centro de emprego para o estrangeiro jorge silva

A emigração subiu, mas não foi a principal causa de anulação de inscrição de desempregados. Metade deveu-se a falta a controlo. Foram 600 mil em 2010

Estavam inscritos nos centros de emprego como desempregados e saíram do país a um ritmo mensal de dois mil por mês. O número peca por defeito face aos portugueses que emigra, mas ilustra a tendência actual. Em 2008, foram 15 mil, em 2009 mais 20 mil e, em 2010, quase 23 mil.

A conclusão extrai-se dos números divulgados pelo presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) em dois artigos de opinião sobre a anulação de inscrições de desempregados por parte dos centros de emprego. O último foi publicado na edição de ontem do PÚBLICO.

Os dois artigos visam responder à acusação de manipulação. Como apurou o PÚBLICO, o maior número de anulações verificou-se nas vésperas de actos eleitorais e, nos últimos meses, cresceu significativamente, explicando as trajectórias divergentes dos dados do desemprego do INE e os do IEFP. Neste último artigo, Francisco Madelino critica "ex-ministros e secretários de Estado" que "destapam essa possibilidade" de anulação "administrativa". "Eles sabem o que fizeram, provavelmente, e só posso falar do que sei", afirma. Para provar a transparência de procedimentos, o presidente do IEFP divulgou os valores mensais das razões de anulação, números a que o PÚBLICO tinha insistentemente pedido acesso sem qualquer sucesso.

Os números de Junho de 2010 a Janeiro de 2011 são interessantes, primeiro, porque permitem concluir que, em 2010, se anularam cerca de 600 mil inscrições de desempregados, um número nunca antes atingido. E revelam pela primeira vez os números da emigração.

Depois, mostram que os desempregados encontraram emprego mais eficazmente do que com a ajuda dos serviços oficiais de emprego (ver caixa). O autoemprego explica entre 24,4 por cento (em 2003) e 28,3 por cento (em 2010) das anulações. Ao todo, houve 169 mil portugueses que, em 2010, encontraram trabalho por si só.

Em terceiro, mostra