PS deixa cair integração dos teatros nacionais no Opart

Uma recomendação do BE para que o Governo deixe cair definitivamente o projecto de integração dos teatros nacionais S. João e D. Maria II no Opart foi ontem aprovada no Parlamento com os votos favoráveis do BE e do PCP e a abstenção dos restantes partidos, incluindo o PS.

A posição da bancada socialista foi "inesperada", diz o deputado comunista João Oliveira, notando que, dada a abstenção do PSD e do CDS, "bastaria que o PS tivesse votado contra para chumbar a proposta".

A iniciativa do BE surgiu na sequência da demissão do presidente do Opart, Jorge Salavisa, cerca de nove meses após ter sido nomeado. A saída de Salavisa, anunciada anteontem, levou também o PS, através da deputada Inês de Medeiros, a questionar o Ministério da Cultura (MC) sobre as razões desta demissão. E o PCP apresentou um requerimento para que Canavilhas preste esclarecimentos no Parlamento.

Em declarações ao PÚBLICO, Inês de Medeiros sublinha o "apreço" que Salavisa lhe merece, mas acrescenta que "o que importa agora é saber quem o vai substituir". Recordando que a própria ministra da Cultura já esclareceu que a integração dos teatros nacionais no Opart está ainda a ser discutida com as administrações do S. João e do D. Maria II, a deputada defende que a abstenção" da bancada socialista "vai na mesma linha". "É uma hipótese que tem de ser reflectida e não devemos precipitar-nos", diz Inês de Medeiros.

Uma declaração divulgada ontem pelo MC parece corroborar esta interpretação. O MC diz que recebeu, quer do PS-Porto, quer do grupo parlamentar socialista, "sugestões para melhoria" da sua proposta, e afirma que "a abstenção da bancada parlamentar do PS é coerente com a necessidade de espaço para esta articulação de posições". O mesmo comunicado garante que a ministra "está e sempre esteve aberta a outros modelos de gestão em rede".