Assange considera responsável pela fuga um "herói sem paralelo"Diplomacia

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Assange diz estar a trabalhar para fazer do mundo "um lugar melhor" THOMAS COEX/AFP

Assange respondeu às perguntas dos leitores do Guardian, enquanto o site da sua organização enfrentava dificuldades para se manter disponível

O fundador da WikiLeaks diz que todas as pessoas que o ameaçam devem ser acusadas de incitação ao assassínio. Sobre o responsável pela fuga de informação que lhe permitiu ficar na posse de mais de 250 mil telegramas do Departamento de Estado norte-americano, Julian Assange afirma tratar-se de "um herói sem paralelo".

Entre desenvolvimentos sobre o mandado de captura que a Suécia emitiu contra ele e mudanças de endereço do site da organização, o australiano passou parte da tarde a responder a perguntas num chat do Guardian, um dos jornais parceiros da WikiLeaks na divulgação dos telegramas.

Um leitor perguntou-lhe como se sente ao saber que o ex-conselheiro do Governo canadiano, Tom Flanagan, terá dito: "Penso que Assange devia ser assassinado... [O Presidente] Obama deve pôr alguém a tratar disso..." O australiano respondeu que "é correcto que os que fazem esse tipo de declarações sejam acusados de incitação para cometer assassínio".

A Suécia fez saber que reenviou o mandado internacional de captura contra Assange depois de acrescentar "as informações que a polícia britânica reclamara". Mas não há indicações de que a polícia se prepare para tentar prender o australiano, procurado por suspeita de violação, e sabe-se que qualquer ordem de extradição será contestada em tribunal.

O elogio da fonte

Assange defendeu "o papel importante" que diz ser cumprido pela WikiLeaks e fez o elogio dos informadores: "Um dos nossos objectivos tem sido realçar a fonte, que é quem se arrisca, e sem a qual o jornalismo não seria nada. Se é o caso, como alega o Pentágono, de que o jovem soldado [Bradley Manning] está por trás de algumas das nossas revelações, então ele é sem dúvida um herói sem paralelo." Manning, de 23 anos, está preso.

O dia começara com o site da organização a experimentar sérias dificuldades para se manter disponível devido a alegados ataques informáticos. A um apagão de seis horas, em que não existia na Internet o site www.wikileaks.org, seguiu-se o reaparecimento com um endereço suíço (wikileaks.ch).

Foi na quarta-feira que uma subsidiária da Amazon anunciou o corte com a WikiLeaks, obrigando a organização a procurar outros servidores para alojar os seus dados. Em resposta a uma pergunta sobre a decisão da empresa norte-americana, Assange explicou que a WikiLeaks "coloca desde 2007 os servidores em jurisdições onde suspeitamos que exista um défice de liberdade de expressão - a Amazon foi um desses casos".

Sobre a eventualidade de ser possível "apagar" por completo as informações disponibilizadas pela WikiLeaks, Assange explicou que "o arquivo do Cablegate foi distribuído por mais de 100 mil pessoas" de forma codificada. "Se alguma coisa nos acontecer, as partes mais importantes serão divulgadas imediatamente. A história vai vencer. O mundo vai passar a ser um lugar melhor. Se nós iremos sobreviver? Isso depende de vocês."