Universidade de Lisboa sem dinheiro para transformar o Jardim Botânico

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Universidade gasta 3 milhões por ano na manutenção sem ajuda estatal Hélder Olino

Instituição quer entidades públicas e privadas a financiar projectos de 30 a 40 milhões de euros previstos no plano de pormenor do Parque Mayer

O reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, diz que a instituição que dirige não tem dinheiro para levar a cabo as transformações do Jardim Botânico e museus adjacentes previstas no plano de pormenor do Parque Mayer. O plano de pormenor não é pacífico e já deu origem a uma petição criticando as opções escolhidas.

"A universidade não tem, nem de perto nem de longe, os 30 a 40 milhões necessários", admite o reitor. "Não é um investimento que possa ser feito por nós." A alternativa, explica António Nóvoa, passa por criar uma entidade com outros parceiros, públicos e privados, para financiar a operação, que inclui a construção de alguns edifícios novos no Jardim Botânico e a recuperação de outros antigos. São as novas construções criticadas pelos signatários da petição - nos quais se inclui o arquitecto Ribeiro Telles -, por entenderem que elas podem pôr em causa o equilíbrio do espaço verde.

Questionado sobre a natureza dessa entidade, o reitor diz que poderá assumir a forma de "um consórcio com alguma autonomia" em relação à universidade, adiantando que à instituição académica caberá sempre a tutela dos aspectos pedagógicos e museológicos do projecto. Numa época de austeridade, será que a universidade conseguirá angariar financiadores? "Haverá um faseamento deste projecto. Ficaremos muito felizes se daqui a dez anos conseguirmos concretizar grande parte", diz António Nóvoa, que também não põe de lado o recurso a fundos comunitários.

O reitor, que falava numa sessão de esclarecimento sobre o plano de pormenor que teve lugar anteontem ao fim do dia, considerou inaceitável o estado de "enorme degradação" a que chegou o Jardim Botânico, mas sublinhou que, para impedir um agravamento da situação, a universidade gasta por ano três milhões de euros com o jardim. "Apesar de todos os nossos contactos nos últimos anos, não houve nenhum governo que desse dinheiro para manter ou requalificar este património. E não é fácil convencer os órgãos de governo da universidade a canalizar para aqui recursos." Há uns meses, revelou, "o Jardim Botânico esteve à beira do encerramento, por questões de segurança". Nóvoa mostrou abertura à alteração de alguns aspectos do plano de pormenor para aquela zona: "Se calhar há coisas que podem ser melhoradas."