Cáritas avisa que o período mais negro ainda não chegou

A Cáritas Portuguesa advertiu ontem que "o período negro da crise ainda não chegou" e que o desemprego vai subir e será de longa duração, recomendando "um menor despesismo" e uma "luta permanente contra as assimetrias sociais". As observações constam do comunicado final do conselho geral da instituição, que reuniu este fim-de-semana em Fátima.

No documento, a Cáritas reitera que "muitas famílias não conseguem fazer face às despesas, o que torna a crise mais profunda", reconhecendo, por outro lado, que "uma parte significativa da população caiu no consumismo desenfreado, não alimentou hábitos de poupança e não cooperou civicamente a favor da solidariedade e da superação da crise". No último ano, o número de portugueses que pediu ajuda à Cáritas subiu de cinco mil para 62 mil e a instituição católica admite mesmo que já não consegue acorrer a todos os pedidos.

A Cáritas considera também que existem situações que exigem "profunda reflexão", como a "escassa penalização dos rendimentos mais elevados" ou a diminuição das prestações sociais. "É aí que se pode cortar mais porque a fatia é maior, mas é aí que se fragiliza mais a sociedade portuguesa", alertou o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, advertindo que "há já duas consequências que se estão a notar muito como reverso deste problema de austeridade": o aumento dos divórcios e da violência doméstica.

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