Cristãos do Iraque esperavam mais apoio do Sínodo dos Bispos

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Sínodo pediu a Israel o fim da ocupação dos "territórios árabes" ALESSIA PIERDOMENICO/REUTERS

Mensagem final da reunião de bispos católicos sobre Médio Oriente fez polémica com Israel por causa das críticas à ocupação

O arcebispo sírio-católico de Mossul (Iraque), Georges Casmoussa, lamentou ontem que a mensagem final do Sínodo dos Bispos sobre o Médio Oriente não tenha incluído palavras mais fortes sobre a situação dos cristãos no Iraque.

Em entrevista ao La Croix, o arcebispo faz um balanço muito positivo do Sínodo, por ter trazido para a actualidade o problema dos cristãos do Médio Oriente, pressionados a deixar a região. Mas diz que os cristãos iraquianos esperavam "palavras mais vigorosas" para se sentirem verdadeiramente tocados pelo Sínodo.

"Queremos mostrar que as pressões de todas as partes não devem impedir-nos de ficar", diz o arcebispo, referindo-se ao êxodo de tantos cristãos que deixam a região.

Ontem, no Independent, o analista Robert Fisk recordava que praticamente metade dos mais de um milhão de cristãos iraquianos deixou o país desde a primeira Guerra do Golfo - um estranho tributo ao cristianismo dos dois Presidentes Bush, que iniciaram as duas invasões.

O êxodo das populações cristãs, de "proporções quase bíblicas", escreve, reflecte-se ainda na mais de metade de cristãos libaneses que vive agora fora do país (passaram de mais de 50 para 35 por cento) e nos menos de 10 por cento da população que representam agora os oito milhões de cristãos coptas do Egipto.

Na véspera, os comentários à mensagem final fizeram polémica entre Israel e o Vaticano. O documento, aprovado pelos participantes no Sínodo, pedia que Israel pusesse fim à ocupação dos "diferentes territórios árabes" e acrescentava que a Bíblia não pode justificar a ocupação.

"Os cidadãos dos países do Médio Oriente interpelam a comunidade internacional, em particular a ONU, para que trabalhe sinceramente numa solução de paz justa e definitiva na região" que passe pelo fim da ocupação dos diferentes territórios árabes", diz o texto, aprovado pelos 180 bispos participantes.

Na apresentação do documento, o arcebispo greco-melquita de Newton (EUA), Cyrilo Salim Bustros, acrescentou que Israel não pode apoiar-se na expressão "Terra Prometida" para "justificar o regresso dos judeus a Israel e a expatriação dos palestinianos". A declaração foi mal recebida pelo vice-ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Danny Ayalon, que rejeitou os "ataques políticos" e manifestou a sua "decepção" porque o Sínodo fora tomado "por uma maioria anti-israelita". O porta-voz do Vaticano veio afirmar que apenas a mensagem final reflectia a posição do Sínodo.