Investigadores estudam fármaco para prevenir obesidade

Foto
Portugueses com excesso de peso

Equipa da Universidade de Coimbra investiga potencialidade de remédio para diabetes tipo 2

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra concluiu que a vildagliptina - um fármaco utilizado actualmente na diabetes tipo 2 - também produz efeitos a regular a formação de gordura no organismo e tem potencial para poder vir a ser um fármaco eficaz no combate à obesidade.

Apesar de ser ainda cedo para saber quando é que o produto poderá estar finalizado, os resultados preliminares da investigação mostram que o fármaco pode ajudar a prevenir a obesidade, já que se mostrou eficaz a evitar a acumulação de gordura nas células do organismo que a armazenam. "Ainda é muito cedo para tirar todas as conclusões, mas tendo em conta que este fármaco, nos modelos que desenvolvemos, conseguiu impedir a acumulação de lípidos nas células gordas, poderemos estar na presença de um novo alvo terapêutico para impedir a formação ou a acumulação de mais gordura nessas células", afirma a investigadora Joana Rosmaninho-Salgado.

De acordo com os investigadores, o fármaco poderá vir a ser útil em situações de "pré-obesidade, podendo evitar a passagem para o estado de obesidade em pessoas com excesso de peso, em combinação com outras medidas, nomeadamente cuidados com a alimentação e realização de actividade física". "Mas neste momento ainda não sabemos se tem potencial para levar a que uma pessoa emagreça ou se vai unicamente impedir que a pessoa engorde mais", precisa Joana Rosmaninho-Salgado.

O facto de o fármaco já ser comercializado para combater a diabetes, e de já serem conhecidos os efeitos adversos do medicamento, poderá acelerar o processo tendo em vista a utilização da vildagliptina na prevenção da obesidade. No entanto, há ainda várias etapas por cumprir: "Queremos conhecer melhor o processo através do qual as células acumulam gordura, depois teremos que usar modelos animais para testar o fármaco, utilizando ratinhos obesos e ver qual o efeito. Finalmente, consoante os resultados, cabe à indústria farmacêutica testar o fármaco em pessoas ou não", afirma Joana Rosmaninho-Salgado, acrescentando que actualmente os investigadores estão a tentar apurar as doses necessárias para o fármaco produzir efeito em "modelos de células de gordura".

Hoje em dia já existe uma enorme gama de fármacos que tem por objectivo combater a obesidade e a formação de gordura no organismo, mas cada medicamento tem um método de acção próprio: "No nosso caso o que estamos a fazer é tentar evitar que as células formem lípidos e consigam armazená-los dentro delas", explica Joana Rosmaninho-Salgado.

De acordo com estudos citados pelos investigadores, em Portugal, cerca de 50 por cento da população em idade adulta tem excesso de peso, sendo que mais de 35 por cento estará numa situação de pré-obesidade e 15 por cento será obesa. Portugal é ainda um dos países europeus com maior prevalência de obesidade infantil.