Ciência sem explicações

Chama-se Síndrome do Colapso das Colónias - internacionalmente conhecido por Colony Collapse Disorder (CCD) - e está a concentrar as atenções da comunidade científica internacional. A ameaça existe e o desaparecimento das abelhas significa sérias repercussões no funcionamento dos ecossistemas terrestres e na própria diversidade genética de várias espécies vegetais, reflectindo-se na variedade e quantidade dos alimentos disponíveis para consumo humano e animal. Por isso, os cientistas não param e têm várias hipóteses em cima da mesa: os pesticidas usados na agricultura intensiva podem estar a afastar as abelhas do seu regresso às colónias; o enfraquecimento genético estará a antecipar a morte; as doenças bacterianas, como a varrose provocada pela varroa, podem estar a atacar com mais força; as alterações climáticas podem destabilizar um equilíbrio entre as colónias e os agentes patogénicos; e até as radiações dos telemóveis podem ter alguma relação. A ciência espreme todas as possibilidades com muita cautela, mas até ao momento não conseguiu chegar a uma explicação e a causa até poderá estar na interacção de diversas variáveis. Os estudos prosseguem.

A Universidade escocesa de Dundee, por exemplo, está a analisar se a hipótese de os pesticidas estarem a desorientar as abelhas e outros insectos polinizadores faz algum sentido. E não é apenas a eventual decadência da apicultura que está a preocupar a ciência, o facto de cerca de 80 por cento das espécies vegetais dependerem da polinização de insectos, sobretudo das abelhas, é uma realidade que não pode ser ignorada. No limite, se todas as abelhas desaparecessem, a vida na Terra estaria seriamente comprometida.

"O desaparecimento das abelhas seria uma catástrofe natural", adianta Miguel Vilas Boas, professor adjunto da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança e participante em vários trabalhos nas áreas das abelhas. O responsável salienta que ainda não há dados concretos sobre essa estranha mortalidade das abelhas, tanto a nível de um levantamento exaustivo das perdas de colónias, como de conclusões científicas. Vilas Boas salienta, a propósito, que as hipóteses variam de país para país. Em Espanha, associa-se o desaparecimento das abelhas a uma doença; em França, ao uso dos pesticidas na agricultura.