Passos Coelho admite que a revisão constitucional serve para testar reformas

PSD acusa PS de "condicionamento". Ministro aponta a "proximidade" de Passos a Espanha

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, admite que o debate sobre a revisão constitucional que lançou é uma espécie de teste para "saber que tipo de reformas precisamos de fazer para futuro". O líder dos sociais-democratas acredita também que o PS estaria disponível para cooperar nesta proposta, se não estivesse "dependente do condicionamento" da esquerda.

"De certa maneira, o debate constitucional nesta altura permite, por um lado, saber se conseguimos ou não um consenso alargado na sociedade para evitar que a Constituição permaneça como um programa de governo socialista", disse Passos Coelho, numa entrevista à TSF. "Em segundo lugar, isso permite-nos, a propósito dessas leituras, saber que tipo de reformas precisamos de fazer para futuro e é muito importante que o máximo consenso seja alcançado quanto a essas reformas, independentemente de quem está no governo", acrescentou.

À margem das semelhanças que encontra na Constituição com o programa socialista, Passos Coelho considera que, "se o PS não estivesse com uma contingência de ter uma maioria simples e não absoluta no Parlamento e de estar dependente do condicionamento feito pelo discurso mais à esquerda, quer do Bloco, quer do Partido Comunista, talvez conseguisse avançar mais rapidamente num consenso maior quanto ao tipo de reformas que precisamos de fazer". A entrevista de Passos Coelho foi feita em Santander, Espanha, onde o presidente do PSD participou no curso de Verão Pós-Iberismo: Um novo paradigma nas relações entre Espanha e Portugal, organizado pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo. E foi ali que, na quarta-feira, logo após o anúncio do negócio entre a PT e a Telefónica, defendeu uma "parceria com Espanha a pensar nos mercados" e deu como bom exemplo a posição da Telefónica e PT na Vivo.

Facto que não passou despercebido ao ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira, que ontem assinalou a proximidade entre o presidente do PSD e algumas posições provenientes do país vizinho. "Eu verifico a coincidência das posições do PSD com aquilo que temos podido ouvir na imprensa espanhola. Aliás, o líder do PSD tem a inclinação de ir sempre para Espanha explicar a sua posição contra o uso da golden share", afirmou Silva Pereira, no fim do Conselho de Ministros.

Quando o Governo utilizou a golden share para travar a anterior tentativa de compra da Vivo pela Telefónica, Passos Coelho reagiu a partir de Madrid. Silva Pereira considerou também que, tendo em conta a solução encontrada, seria melhor que Passos Coelho "reconhecesse um erro de avaliação precipitada da situação". "Se esse erro tivesse sido cometido por alguém com responsabilidade de governo, a verdade é que o interesse nacional não teria sido salvaguardado, já que a PT teria abandonado a Vivo, sem ter assegurado uma alternativa", rematou.

Contactado pelo PÚBLICO, o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, desvalorizou as críticas. "Não nos merece qualquer comentário", disse.

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