Vai ser necessário adequar os projectos educativos

Professores podem ter que dar aulas em estabelecimentos separados por dezenas de quilómetros

A criação dos mega-agrupamentos terá reflexos no quotidiano dos alunos e dos seus encarregados de educação, mas sobretudo dos professores e funcionários das escolas. Os docentes passarão a fazer parte de um único quadro de pessoal e podem por isso ter que dar aulas ao mesmo tempo em escolas distantes entre si. "Dentro do agrupamento, o professor pode dar aulas onde for necessário. Já o fazemos agora, mas as distâncias não vão além dos quatro quilómetros", conta Domingos Carvalho, director do agrupamento de escolas de Gandarela de Basto, no distrito de Braga. Com os mega-agrupamentos, os docentes poderão ter que fazer deslocações de dezenas de quilómetros entre as aulas, caso tenham turmas atribuídas em mais do que uma escola. A medida também vai mudar a vida de alguns funcionários, especialmente os administrativos, que podem ter que deixar o actual local de trabalho, para passar a prestar serviço nas escolas-sede.

O agrupamento liderado por Domingos Carvalho vai passar a depender da EB 2-3 de Celorico de Basto, que fica a 15 quilómetros de distância. Do outro lado do concelho, os estudantes do agrupamento da Mota terão que se habituar a deslocações de 11 quilómetros, quando necessitarem de um documento da secretaria com urgência.

"Há situações que só poderão ser tratadas na sede de agrupamento", prevê Domingos Carvalho, comparando à situação à dos Correios. "Também temos um balcão na freguesia, mas só vende selos e envelopes. Para enviar uma carta registada ou fazer um pagamento temos que ir a Celorico", exemplifica.

Os pais estão a fazer contas. "Estamos num meio social extremamente carenciado, onde o poder de compra está 50 por cento abaixo da média nacional", lembra o presidente da associação de pais, Jaime Sousa.

Neste momento são mais as dúvidas do que as certezas, para os professores. "Não sabemos quais serão as competências dos coordenadores de escola", afirma Luís Correia, subdirector do agrupamento de Rio Caldo, que passará a depender do agrupamento de Terras de Bouro, do qual dista 20 quilómetros.

"Será preciso adequar os projectos educativos das escolas. Os objectivos não são coincidentes", antevê aquele responsável, para quem será também mais complicado o trabalho de coordenação entre os professores. "Como é possível funcionar uma reunião de departamento com 80 professores? Desgraçado do coordenador a quem tudo vai cair em cima", ilustra. S.S