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Secretário-geral da NATO alerta contra cortes na defesa

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Anders Rasmussen esteve ontem em Lisboa DANIEL ROCHA

O secretário-geral da NATO, numa visita a Lisboa para preparar a cimeira de Novembro, avisou ontem que a Europa tem de investir na modernização das suas forças armadas. Se não o fizer, argumenta, fragiliza os laços transatlânticos e põe em causa a sua influência no mundo. "Há já um fosso enorme entre os dois lados do Atlântico" em matéria de investimentos militares, sublinhou Anders Fogh Rasmussen, revelando que os Estados Unidos gastam, por soldado, "três vezes mais" do que a média europeia.

"A Europa tem beneficiado dos enormes investimentos americanos", mas os líderes europeus devem compreender que, "se a Europa quer ser um promotor de segurança e garantir que a Aliança continua a ser essencial, terão de investir", disse, num colóquio na Universidade Católica em Lisboa.

Aos jornalistas, Rasmussen admitiu que, no actual momento, "o sector da defesa não pode ficar isento dos cortes orçamentais". Espera, porém, que os governos aproveitem para reformar as forças armadas, tornando-as mais eficazes, e não ponham em causa os compromissos já assumidos com as operações no terreno - garantias que disse ter recebido no encontro com o primeiro-ministro, José Sócrates.

O secretário-geral confirmou que a situação no Afeganistão vai ser avaliada na cimeira, altura em que a NATO espera poder anunciar o início da transferência de responsabilidades de segurança para as forças afegãs. Na reunião, será também aprovado o novo conceito estratégico, o "guião" da Aliança para os próximos dez anos. Rasmussen acredita que o documento reafirmará a segurança colectiva como missão central da NATO, ainda que as ameaças actuais, como o ciberterrorismo e a proliferação nuclear, exijam respostas diferentes.

Rasmussen está a ouvir os 28 Estados-membros antes de elaborar a proposta de conceito estratégico que apresentará na cimeira. Ao PÚBLICO, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, explicou que Portugal espera que o conceito estratégico "acentue a importância da Aliança como um parceiro de segurança global" e não como um "agente de segurança global", ideia que diz tem gerado "muita resistência e desconfiança".

Descontente com a recepção a Anders Rasmussen, a Plataforma Antiguerra, Anti-NATO juntou-se na Praça dos Restauradores, em Lisboa, para protestar "contra a realização daquela cimeira imperialista no nosso país". Estavam pouco mais de 30 pessoas, mas para Rui Namorado Rosa, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, o número da assistência não era o mais importante. "O que quisemos assinalar foi a passagem do secretário-geral da NATO" e "mostrar que a vertente militar está a tomar um peso e a condicionar as verdadeiras saídas das crises em que o mundo está mergulhado", disse. Nesta acção foram instaladas 61 cruzes negras e um mural, pintado com o símbolo da paz (pombas). com Tânia Marques

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