Oposição na Câmara de Beja contra a falta de botas e abundância de cartões de crédito

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CDU e PS trocam acusações

Autarcas comunistas criticam a contenção de despesas imposta pelo executivo de maioria socialista na câmara alentejana

O plano de contenção e de recuperação divulgado anteontem pelo executivo de maioria socialista que preside à Câmara de Beja veio agudizar, ainda mais, o confronto político com os comunistas que recentemente tinham contestado a atribuição de cartões de crédito aos seus opositores autárquicos.

À semelhança do que acontecera em 2009, os eleitos da CDU na autarquia alentejana contestaram que o orçamento municipal contemple a possibilidade de o presidente, o seu chefe de gabinete e os três vereadores socialistasbeneficiem de um crédito mensal de 900 euros cada um, renovável automaticamente no final de cada mês.

Para além deste cartão de crédito, os socialistas criaram um outro de 2500 euros, também renovável no final de cada mês. O presidente de câmara, Jorge Pulido Valente, justificou este procedimento alegando que era "para a marcação de viagens e pagamento de alojamentos, pois muitas vezes só podem ser feitos através da Internet."

Para além destes créditos mensais, a CDU diz que as despesas de representação orçamentadas para 2010 ascendem a 58 mil euros, "sete vezes mais" que as orçamentadas pelo anterior executivo (comunista) para 2009. Em paralelo com a atribuição dos cartões de crédito os autarcas comunistas foram confrontados durante os seus contactos com os trabalhadores municipais, com "o insólito caso das botas". Existiam dificuldades no fornecimento de calçado, ao ponto de "haver operários com necessidade urgente deste tipo de equipamento".

Os eleitos comunistas instaram o vereador do Pessoal, José Velez, sobre esta lacuna no fornecimento de botas. O autarca confirmou a existência de "uma ruptura" no seu fornecimento em Novembro de 2009 porque "o anterior executivo não pagava atempadamente ao fornecedor", mas que a situação está ultrapassada.

O presidente confirma o acesso aos cartões de crédito e à utilização de despesas de representação, mas esclarece que "não funcionam como um complemento de vencimento", sustentando que o seu uso está estipulado na lei e que "até foi aconselhado pela Direcção-Geral de Finanças, por ser um meio mais transparente". Pulido Valente acusa a CDU de estar a "deturpar e a manipular o uso dos cartões de crédito", garantindo que o seu fundo de maneio "é inferior" ao que era utilizado pelo anterior presidente que tinha acesso a "dinheiro vivo".