Hotel de charme no centro histórico de Sintra

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O antigo Casal de Santa Margarida assenta sobreimóvel do século XIX João Gaspar

Antigo imóvel que estava ao abandono na zona classificada como património mundial da UNESCO será recuperado e transformado

Foi estação dos correios, pensão e habitação e as obras agora em curso vão transformar o antigo Casal de Santa Margarida num hotel de charme, em pleno centro histórico de Sintra.

A poucos metros do recuperado Lawrence"s, hotel de cinco estrelas que foi a mais antiga hospedaria da Península Ibérica (1764), fica o Casal de Santa Margarida. O imóvel, de arquitectura romântica revivalista, estava há muito abandonado. Em Setembro de 2009, a Câmara de Sintra emitiu um alvará para a reabilitação do edifício como hotel residencial com 14 quartos. A obra, numa área total de 1021 metros quadrados, reparte-se por um piso e sótão do lado da Rua Consiglieri Pedroso e mais três pisos para a rua Gil Vicente, dezena e meia de metros abaixo.

O edifício, com vista privilegiada para o antigo paço real, funcionou "como habitação, depois de ter deixado de ser, há cerca de 40 anos, a Pensão Santa Margarida", recorda a dona de uma loja vizinha. A empreitada vai na fase de estruturas. O proprietário não respondeu ao contacto do PÚBLICO.

O presidente da autarquia, Fernando Seara, explica que o projecto se destina a "um hotel de charme" e que "é exemplo de investimento privado sem qualquer constrangimento no centro histórico". O autarca nota que existem diversos imóveis privados em recuperação e que a autarquia reabilitou um prédio que ardeu na Rua da Pendoa para ser re-habitado.

O plano de urbanização de Sintra, de Etienne de Groer (1949), "não é impeditivo desde que haja interessados em investir e que apostem na recuperação", frisa Fernando Seara, aludindo às apertadas regras daquele plano ainda em vigor e que condiciona o aumento de área nas reabilitações no centro histórico. No caso do Casal de Santa Margarida, a autarquia viabilizou um ligeiro acréscimo no sótão para ser aproveitado com quartos.

O historiador José Alfredo da Costa Azevedo, na obra Bairros de Sintra (1997), dá conta de que, antes da pensão, existiu ali uma estação dos correios. Naquele prédio, na frente virada à Rua Gil Vicente, de acordo com a Planta do Real Paço e da Villa de Cintra (1850), do capitão-engenheiro José António de Abreu, funcionou a "antiga assemblea", que chegou a ser conhecida simplesmente por clube.