Incêndio na Casa Pia danifica ginásio mas deixa ilesos alunos e professores

Onze viaturas e 33 bombeiros apagaram as chamas
MIGUEL MANSO
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Onze viaturas e 33 bombeiros apagaram as chamas MIGUEL MANSO

Curto-circuito na origem das chamas. Colchões de espuma terão alimentado o fogo, que não chegou a propagar-se a laboratórios

Ainda não eram 10h30 quando o telefone tocou nos bombeiros. Do lado de lá havia um adulto a pedir socorro, porque as labaredas tinham tomado conta do ginásio do Colégio Pina Manique, da Casa Pia de Lisboa. Mas por trás da voz do adulto ouviam-se as crianças aos gritos: "Fogo! Fogo! Foge!".

Um quarto de hora chegou para evacuar o estabelecimento de ensino da Rua dos Jerónimos, onde estariam umas mil pessoas, entre alunos, professores e pais. Todas escaparam ilesas ao fogo. "Felizmente os miúdos não estavam no ginásio. Como era intervalo, estavam nos pátios", descreve o director do colégio, Jorge Lemos. "Saíram para a rua com muita calma, dando uma grande prova de maturidade". Logo a seguir chegaram os carros dos bombeiros, nada menos de 11 viaturas com 33 homens. Pouco passava das 11h quando o rebuliço causado pelas chamas acalmou: o temido alastramento do incêndio aos laboratórios de Física e Química acabou por ser travado, e o incêndio foi dado por extinto depois de ter consumido a cobertura do ginásio.

Causas do sucedido? Um curto-circuito no ginásio, disse o comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, o coronel Joaquim Leitão. O director do colégio conversou com os electricistas da casa. "Disseram-me que uma tomada se deve ter incendiado com a descarga eléctrica", relata. Os colchões de espuma usados na zona de saltos do ginásio fizeram o resto. "Trata-se de um edifício bastante antigo", ressalva Jorge Lemos. Como antigas são, igualmente, as restantes instalações, por muito que tenham sido submetidas "a todas as verificações técnicas obrigatórias por lei".

Ontem à tarde os alunos do Colégio Pina Manique retomaram as aulas. O susto maior, apanharam-no duas estudantes que ainda tiveram de ser assistidas no local pelo Instituto Nacional de Emergência Médica. "Sofriam de problemas asmáticos e tiveram acima de tudo um ataque de pânico", explicou o director.

O estabelecimento de ensino tem ainda um pavilhão desportivo que não foi afectado pelas chamas, estando também a ser ponderada a hipótese de recorrer às instalações do Belenenses para substituir temporariamente o ginásio perdido.