PSD tem mais dívidas do que todos os outros partidos juntos

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O problema do endividamento do país foi central na liderança de Ferreira Leite joÃo henriques

No final de 2008, os sociais-democratas deviam mais de 10 milhões de euros. Mais de metade era a instituições bancárias

O PSD tem mais dívidas do que todos os outros partidos políticos juntos. No final de 2008, o partido liderado por Manuela Ferreira Leite devia 10,1 milhões de euros, quando os restantes 15 partidos políticos em Portugal deviam globalmente 6,2 milhões de euros.

Esta é uma das principais conclusões que se podem retirar da análise efectuada pelo PÚBLICO às contas anuais dos partidos de 2008, as últimas que deram entrada na Entidade das Contas e Financiamento dos Partidos (ECFP). Estas contas, porém, ainda não foram auditadas por esta entidade. O último ano em que as contas dos partidos foram validadas foi o de 2006, e, à semelhança dos anos anteriores, voltaram a merecer o chumbo da ECFP, por não reflectirem cabalmente a sua actividade financeira e apresentarem um conjunto de irregularidades (ver caixa), sobre as quais o Ministério Público ainda se irá pronunciar.

A análise realizada pelo PÚBLICO constatou que mais de metade das dívidas declaradas pelo PSD até ao final de 2008 corresponde a dívidas de médio/longo prazo a instituições de crédito. A fornecedores, o PSD deve mais de dois milhões de euros.

Apesar de ser o partido com o nível de endividamento mais elevado, o volume de dívidas tem vindo a diminuir sempre desde 2005, ano em que o total da dívida ascendia a 16,9 milhões de euros, dos quais 14,7 só em empréstimos bancários (ver gráfico). Por outro, as dívidas de terceiros ao PSD ascendiam a 3,5 milhões de euros no final de 2008, dos quais 2,6 milhões eram referentes a quotas de militantes em atraso.

Contas feitas, o passivo total do PSD totalizava os 10,5 milhões de euros no final de 2008, o maior entre todos os partidos. Já os activos "laranja" totalizavam 12,6 milhões de euros. Só em edifícios, terrenos e construções, o PSD declarou mais de quatro milhões de euros. Neste ano, os sociais-democratas receberam ainda 8,1 milhões de euros a título de subvenção do Estado e arrecadaram mais 1,3 milhões de euros em quotas de militantes. No final de 2008, o partido declarou um "lucro" de 1,5 milhões de euros.

PS deve 3,3 milhões...

Do passivo total (3,7 milhões de euros) do Partido Socialista, 3,3 milhões correspondem a dívidas a terceiros, dos quais quase dois milhões relativos a empréstimos bancários. Dos mais de 1,9 milhões de euros que deve a instituições de crédito, 781,5 mil euros são de médio e longo prazo. Os socialistas têm, no entanto, um volume de créditos a receber da ordem dos 1,4 milhões de euros.

À semelhança do PSD, o total das dívidas do PS também tem vindo a decrescer desde 2005, ano em que o partido liderado por José Sócrates devia 21,7 milhões de euros, dos quais 8,3 milhões à banca.

No final de 2008, o activos totais dos socialistas ascendiam a 10,7 milhões de euros. Só em edifícios, terrenos e outras construções, o PS declarou possuir mais de 6,3 milhões de euros. O partido liderado por José Sócrates, com um resultado líquido positivo de dois milhões de euros, foi o que declarou mais "lucros", uma situação que se repete, pelo menos, desde 2005, ano em que chegou ao poder.

... e PCP 1,2 milhões

No final de 2008, os comunistas deviam 1,2 milhões de euros, um valor coberto pelas dívidas ao partido que ascendiam a 1,3 milhões de euros. Apesar do volume de activos do partido ter vindo a diminuir desde 2005, o PCP continua a ser o que declara ter mais activos entre todos os partidos: 17,4 milhões de euros. Uma situação que se deve, por um lado, ao extenso património imobiliário (ver edição de ontem), e, por outro, à grande capacidade de arrecadação de receitas, quer através da quotização dos militantes, quer das iniciativas de angariação de fundos. Só em 2008, foram 2,4 milhões de euros em quotas e 4,6 milhões de euros de angariação de fundos. Do Estado, a título de subvenção, os comunistas arrecadaram mais 1,3 milhões de euros.

Apesar destas receitas, o PCP fechou o ano, ainda assim, com um prejuízo de um milhão de euros. Os comunistas foram os únicos, entre os partidos com assento parlamentar, a declarar um resultado negativo.

BE mais "activo" que CDS

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