Eduardo Lourenço Portugal não é um país fácil de governar

Continuamos a ser uma ilha. Aceitamos a Europa passivamente. Queremos os benefícios mas não queremos a responsabilidade dessa nossa situação de europeus. Eduardo Lourenço fala da nossa peculiar maneira de existir numa Europa que parece reformada da História. Por Teresa de Sousa (texto) e Pedro Cunha (fotos)

Ensaísta da eterna interpretação de um país que se habituou a contemplar de fora, Eduardo Lourenço está no seu gabinete da Gulbenkian, onde é administrador não executivo. Estrangeirado, regressa à pátria ao mínimo pretexto. Cordial, como sempre. A sua obra L"Europe Introuvable acaba de ser editada em França em formato de bolso. Aponta para o título. "Sem tradução possível." Fica bem em francês, a língua da sua segunda pátria, que já foi a língua das elites europeias. Dessa França que hoje não sabe que voltas dar a si própria. Como Portugal, que é o tema que nos leva ao passado e ao mundo. Aparentemente, sem destino. Como a Europa, reformada da História.

Na segunda entrevista da série "Entrevistas sobre o Futuro", Lourenço indica-nos o passado para não repetirmos os mesmos erros. "Portugal sempre foi um país difícil."

Vivemos hoje uma crise do Ocidente, uma crise da Europa e uma múltipla crise em Portugal. Como é que olha para o futuro?

Não sabemos como vamos sair dela, da grande crise, para uma fase menos dramática, mas essas três componentes têm a sua autonomia.

Há a crise genérica, provocada por esse grande momento, que já é mítico na nossa memória, que foi o ataque às Torres Gémeas, mas sobretudo há a crise no sistema económico. Estamos a viver a primeira crise desta globalização - uma crise na ordem económica e financeira a partir do epicentro natural que é o país hegemónico do mundo, os EUA. Naturalmente que isso se repercute na Europa. E nós próprios sofremos as consequências da onda sísmica que veio dos EUA. Felizmente que a Europa teve alguma reacção, que podemos ver como uma certa autonomia. Imaginou uma estratégia de resposta e contribuiu, em todo o caso, para minorar as consequências mais devastadoras. E nós aproveitámos disso.

Mas há uma especificidade da nossa crise. Que está num novo tipo de instabilidade política mais visível e mais acentuada. Provavelmente, já está envolvida nessa vaga de fundo.

Mas vivemos uma crise da política, da justiça, de confiança nas instituições, que nos faz pensar um pouco para além desta crise geral, que apenas as ajudou a pôr em evidência.

Sem dúvida. O mais difícil é poder justificar o disfuncionamento de um certo número de instituições basilares da sociedade, que fazem o crédito de uma democracia digna desse nome e que, de repente, entram elas próprias em crise e pervertem a normal vigência democrática a que estávamos habituados. Instalou-se, através de certos episódios que são muito mais do que faits-divers, a desconfiança sobre o sistema judiciário. Que é um pilar e um espelho da democracia, a referência ético-política de um Estado de direito. Os processos não têm fim. E isso já abala o normal funcionamento das coisas. Não se sabe o porquê desta disfuncionalidade.

Que tem a ver com a crise da política?

É tudo um pouco paradoxal. Tivemos um governo de inspiração socialista - é, em todo o caso, o que pensa a opinião pública - que governou em maioria até às últimas eleições e que teve uma oposição que não foi capaz de ser um contrapeso suficiente e isso foi mau para o funcionamento do sistema. Mas a verdade é que a nossa história de quase um século, desde a I República e, mesmo, no Constitucionalismo, sempre foi muito difícil. Portugal não é um país fácil de governar...

A não ser durante o tempo da ditadura.

Que o país pagou com a democracia. Aí, sim, havia asfixia. Só quem não sabe o que foi isso é que pode falar disso agora. Hoje há considerações de outra ordem, mais grave - considerações de ordem económica, que se reflectem na estabilidade social, que não é dramática mas já é preocupante. Não podemos estar outra vez em jogos unicamente políticos em função dessa hipertrofia dos partidos, porque sabemos que, no passado, isso nos custou muito caro.

Falou da experiência de maioria do anterior governo. Mas a experiência que temos é que apenas sabemos funcionar com maiorias absolutas, que substituem, de algum modo, o líder forte ou o homem providencial. Falta-nos a cultura do compromisso?

Curiosamente já tivemos [essa cultura] no passado anterior à República, durante o Rotativismo [regime de alternância entre dois partidos, que prevaleceu nas últimas décadas do século XIX]. Havia uma espécie de alternância que era outra maneira de jogar o jogo democrático. Mas era também noutra época em que a classe política tinha uma grande homogeneidade do ponto de vista do seu estatuto social - era uma pequena elite do país que se revezava no poder. Nesta sociedade nossa que é já de massas, onde as massas são sujeitos políticos conscientes da sua representatividade, é esta persistência neste jogo que não é apenas de forma, mas que aparece para os outros como uma espécie de luxo, que indispõe o país. E daí, talvez, que o país esteja sempre em estado sebástico, à espera de um salvador, quer seja um partido, quer seja uma personagem. O Sidónio Pais na República ou o Salazar. É uma espécie de nostalgia perversa que reemerge de cada vez que há uma crise: ah, se estivesse aqui, realmente, um homem forte!

Mas é preciso ter também em conta que a democracia nunca foi uma solução fácil, que caia do céu. A democracia é o mais difícil dos sistemas. Supõe um grau de consciencialização política alto e um consenso em torno do seu próprio jogo. Se não for isso, as pessoas pensam noutras soluções. Foi sempre assim. Já no tempo de Roma se inventaram essas intervenções excepcionais, depois institucionalizadas.

Mas já temos 35 anos de democracia e 25 de Europa...

Mas continuamos a ser uma ilha - uma ilha paradoxal, que no século XVI estava no oceano Índico, a primeira ilha global. Apesar desse passado, persistimos como ilha, incluindo em relação às nossas ilhas, e cada ilha, naquelas ilhas, é ela própria uma ilha.

O efeito europeu foi importantíssimo, nem podemos pensar outra coisa. Sem ele, estaríamos aqui apenas tolerados ou invisíveis àquilo que se passava no sistema global. Na óptica económica, financeira e social, somos um país que funciona perfeitamente à europeia. E os portugueses estão passivamente contentes com os benefícios da Europa. Mas foram sempre assim: é como se isso nos caísse do céu da forma mais natural do mundo. E não há consciência europeia. Há mesmo uma espécie de um discurso de alheamento ou de desinteresse profundo nessa nossa nova maneira de existir. Queremos os benefícios mas não queremos a responsabilidade dessa nossa situação de europeus.

Porquê?

Isto talvez não se passe só connosco. Cada país europeu tem um tal passado e é tão ele próprio "Europa", cada um diferentemente, que não vê bem o que é que a Europa lhe acrescenta a não ser uma espécie de invólucro abstracto mas que não é vivido enquanto tal. Entrámos na Europa, somos agora naturalmente europeus, mas é uma naturalidade passiva. Não há uma paixão europeia, para além de uma minoria. Ainda nos vivemos como província e até - o que sempre me admirou muito - como país periférico. Periférico? Nós, que estivemos no centro do mundo?

Vivemos nas últimas três décadas duas grandes ideias mobilizadoras: a democracia e a Europa. Hoje, parece que há sempre uma crise que nos espreita.

Espero que seja apenas um mau momento, que seja rapidamente superado. Mas enquanto dura não é, efectivamente, o funcionamento normal de uma democracia que já está consolidada e que até hoje nunca foi disputada - não há aqui extremismos que a disputem. Isso também nos dá um certo descanso. Dá-nos a sensação de que se pode fazer qualquer coisa sem riscos, que podemos estar nessa permanente superprodução política.

Mas somos europeus, que é o mais importante. Mas que Europa? A Europa funciona para nós assim como uma espécie de guarda-chuva político, que pensa por nós, que age por nós.

Que nos desmobiliza?

De alguma maneira. Estava-se à espera que a Europa tivesse um dinamismo, que fosse um actor político forte, que nos puxasse com ela.

Mas a própria Europa está em perda de dinamismo.

Está sempre mudando mas está parada. Não sabe o que quer nem para onde vai. E essa paralisia suscita reacções de refluxo para aquilo que já se conhece, que é aquilo que nós fomos no passado. Estávamos em nossa casa, mesmo que a casa não fosse brilhante, mas pelo menos mandávamos na nossa casa. Na Europa, recebemos uma espécie de ordens que não são, muitas vezes, explicadas, que se metem em tudo, mas que nos privam, a nós, da nossa acção e de exercermos a nossa qualidade de cidadãos, sempre à espera que as coisas nos apareçam feitas. Há aqui um efeito perverso de uma coisa positiva, que é esta construção da Europa sem precedentes.

Como é que explica que, num país que é hoje mais rico, mais educado, haja o reconhecimento geral de que a actual geração de políticos parece menos capaz do que as gerações que nos trouxeram do 25 de Abril até aqui?

Não sou sociólogo, não tenho grande explicação para isso, apenas reconheço o fenómeno. Por um lado, vejo que a classe jovem é muito mais europeia na prática - viaja, vai para aqui e para ali, não tem fronteiras. Está na Europa, passou a ter as mesmas regalias que tinha a grande burguesia europeia antes dos grandes embates da I e da II Guerras, quando se andava sem passaporte. Somos europeus no sentido empírico e há uma vida europeia, sobretudo para as novas gerações. Respiram as mesmas coisas.

A classe política, paradoxalmente, parece que não é feita sobre este modelo. Talvez porque o gozo do poder aqui, interno, lhes é suficiente. Veja que este país, sempre tão ávido do reconhecimento da sua imagem externa, tem uma personagem que ocupa uma das posições mais importantes lá fora que não goza de nenhuma mitificação cá dentro. É mesmo visto e citado como ironia.

Mas há também este aparente empobrecimento da política, que não é só nosso.

Tem razão, entrou-se numa visão das coisas muito egoísta ou egotista, sem aquilo que faz a unidade de um país como uma comunidade inteira, em que a sua representação política existe em função da promoção de um projecto de âmbito nacional e não subordinado aos proveitos de ordem quase privada da classe política. Há uma certa nostalgia de um tempo em que, com todas as coisas que não aceitávamos, quase havia uma hipertrofia da santificação da política como conteúdo que era o destino do país.

Agora há uma banalização? É o que está a dizer?

Sim. Não há uma representação simbólica de Portugal à altura da nossa própria História. Quer na ordem interna, quer na ordem externa.

Nos anos em que dominou a ideologia neoliberal, a política recuou em relação à economia. Há aqui uma nova oportunidade de reabilitação da política?

Não resolve tudo, mas o défice dela é o buraco negro na ordem social e nas outras: essa ideia de que a economia comanda tudo. Estamos confrontados com uma crise provavelmente inédita na História moderna, em que o coração da nossa civilização vive como um vulcão que não domina, que está em permanente erupção. Todo o Ocidente viveu, quase desde a Revolução Francesa, em função de utopias que lhe davam uma justificação da acção política em nome de futuros - melhores ou melhoráveis. Uma parte dessas melhorias foi alcançada. Mas o mundo não pára. É uma máquina que, ou é eficaz ou se transforma numa máquina infernal. Hoje, parece mais uma máquina infernal do que eficaz.

Mas não é isso que exige a reabilitação da política?

Naturalmente. Veja que, nesta crise no coração do sistema, cuja essência simbólica era a necessidade de se caminhar para menos Estado, de repente o último salvador é o Estado. E ainda com esta coisa paradoxal: o Estado e os cidadãos desse Estado terem de vir em auxílio dos ricos. Os pobres virem salvar os ricos, nunca se viu na história ocidental.

E veja que esse sistema só não capotou de maneira mais radical do que em 29 porque foi salvo, não só pelos mais pobres, mas pelos novos países que emergiram e que puderam garantir que o sistema continuasse a funcionar, que nem sequer fizesse o seu mea culpa, e que mesmo os sujeitos que estão na origem desse gangsterismo histórico-político continuem, na sua impunidade, a funcionar mais ou menos na mesma.

E isso pode levar à revolta das pessoas?

Não estamos ao abrigo de conhecer movimentos nesse sentido que pensávamos que já estavam atrás de nós. Não sei o que vai acontecer, mas tudo isto se vai reflectir na ordem política.

São as nossas elites que falham de cada vez que a História nos confronta com situações mais complicadas?

Veja bem como é que a nossa sociedade funciona. Na televisão, os programas existem para justificar os minutos de publicidade. Isto é a perversão total. O sistema inteiro vive em função dessa mediatização e dessa publicidade. Tudo lhe é subordinado. A política transformou-se numa espécie de máquina lúdica sem outra finalidade que não seja essa espécie de jogo de brincadeira hiper-séria.

Veja que já não é no Parlamento que se faz a política. É na televisão. E não são pessoas legitimadas para ter esse tipo de discurso de efeitos políticos. É gente que tem um privilégio de que nem sequer se dá conta: têm uma espécie de pelouros e funcionam como os verdadeiros detentores do poder de opinião. Não sei onde é que isso vai levar mas é uma perversão. Quem não tiver expressão mediática não existe.

É isso que afasta os melhores?

Provavelmente. Como sabe, isso não vem de agora. O Alexandre Herculano é quem é mas era um desgraçado no Parlamento, não tinha esse talento oratório... Era, aliás, por isso que admirava tanto o seu colega mais velho e brilhante, Almeida Garrett, que era um actor. Ele podia ser conselheiro de reis mas não podia ser um actor. Quantos "Alexandres Herculanos" não existem neste país? O melhor deste país são os "Alexandres Herculanos" que andam por aí. Não estão na política. Hoje nem sequer os querem como conselheiros do rei.

Voltamos ao nosso destino. Parece estar a renascer a ideia de que temos de ir buscar forças às regiões com as quais temos velhas relações históricas. É uma fuga? Ou faz algum sentido neste mundo globalizado ao qual nos temos de adaptar?

São as duas coisas ao mesmo tempo. Nós tínhamos apostado efectivamente neste novo presente e novo futuro português na Europa que se está a construir. E, de repente, somos confrontados com este processo de desencanto ou da lentidão com que as coisas positivas vão aparecendo. Como não nos podemos refugiar aqui, no nosso pequeno espaço, temos de olhar para aquele espaço onde a nossa língua é realmente valorizada. Mas é uma grande ilusão. Neste momento, é o Brasil que está aqui, não é Portugal que está lá.

A Europa é curiosa. Com todo o desencanto que esta construção está a produzir, a Europa ainda está a funcionar como os Estados Unidos dos pobres deste mundo. Se a África inteira pudesse, vinha para cá. Vêm do Paquistão. Vêm de toda a parte, numa coisa que nunca existiu antes. Nós é que íamos lá. Vêm de muito longe, ficam ali em Calais à espera de passar para a Inglaterra, que é a América europeia. E Portugal é agora um país que também recebe - de toda a parte, da Ucrânia ou do Brasil. É a primeira vez que o Brasil imigra para cá...

É verdade, mas ao mesmo tempo é uma potência emergente que fala português.

E isso é o maior reconhecimento da História portuguesa, porque o Brasil, quer eles queiram ou não, quer saibam ou não, nasceu deste pequeno país. E é por isso que é o que é, com defeitos mas também com algumas características que outros grandes países não têm. Estou de acordo que devemos ter com o Brasil melhores relações. Foi uma pena que não tenha vingado aquela ideia de D. João VI, numa certa altura. Devíamos ter feito o contrário, devíamos ter ficado lá e mandar para aqui o príncipe.

Mas acha que isto não deixa de ser uma ilusão?

É uma ilusão. Eles não nos vêem. Muito abraço, muita coisa, mas não nos vêem como actores credíveis que representem uma mais-valia em relação ao centro, em relação à língua. E a língua não é nossa.

É deles?

É deles. Nunca mais me esqueço que, quando estava na Baía a ensinar, estava a conversar sobre a língua portuguesa e o português, etc., com o professor que me tinha convidado, e ele disse-me: o brasileiro, o brasileiro... Nós criámos a ideia de que eles são nossos filhos mas os filhos também não são nossos filhos. Têm a sua autonomia.

Obama ainda consegue ser uma razão de esperança?

Eu espero que aquilo que ele representou e representa não seja tragado por aquele país. Parece-me que ele conhece pouco a Europa. É pouco sensível. E como a Europa não faz nada que se possa impor... A política é uma guerra, é a mais cruel das guerras. E a Europa não é ninguém como actor político no sentido próprio e forte. Qualquer nação grande da Europa é maior que a Europa como actor político. A Alemanha é muito mais importante e a França é igual. A Europa não tem representação. Não tem número de telefone e os americanos são muito realistas e pragmáticos. Para eles, conta o que é eficaz. A Europa lá vai, muito puxada, lá os acompanha nessas aventuras na Ásia. Obrigada de algum modo, como os aliados de Roma eram obrigados a segui-la. Mas a Europa não consegue ser a Grécia dos EUA. É um museu e não pode ser um museu.

E depois há aqui uma espécie de cavalo de Tróia, que é a Inglaterra. Churchill escolheu de uma vez para sempre.

E a Europa vai ter dificuldade em viver num mundo em que predominam os actores globais que são nações enquanto ela é um conjunto de nações?

Se fosse uma nação seria o centro do mundo. Uma parte desse grande capital cultural e tecnológico americano foi transportado daqui para lá. Como com a queda de Constantinopla, quando eles vieram para a Europa e fizeram a Renascença.

Eu não sou antiamericano, mas o imperialismo americano não começou com as duas guerras mundiais, está lá desde a origem. No meio do século XIX já estavam no Japão.

E o mundo vive em guerra, sempre viveu, e a que hoje vivemos é uma guerra mais subtil e mais extraordinária, que é a guerra do poder mental, científico, tecnológico. Essa nunca pára, não tem noite nem tem dia. E os americanos pensam nela, nos seus think-tanks, 24 horas por dia.

E a Europa não está vocacionada para travar essa guerra permanente?

Como não tem um centro, não consegue ser um actor. É reformada da História. Está a viver de rendimentos. E estou admirado que a Europa prescinda de uma relação muito especial com a Rússia. Admitimos a perspectiva de que a Turquia entre na UE, e a mim parece-me inevitável que ela entre... Então ela entra e não entra a pátria de Tolstoi e de Dostoievski? A Rússia pertence-nos. A Alemanha podia jogar esse jogo sozinha...

Isso não convém, como já sabemos.

Mas é uma ponte...

Mas para isso a Europa tem de se ver como um poder.

Já estou quase por tudo para salvar a Europa. No fundo, o único país que seria capaz de fazer outra vez desta Europa um actor a sério é a Inglaterra. Ela teve a visão do globo. Foi o único império moderno que realmente existiu.

Para mim, a grande desilusão foi o papel da França. Não consegue dar a volta... A França foi o paradigma de tanta coisa. Foi uma espécie de Europa antes da Europa. Isso desapareceu em 50 anos. Perdeu-se o privilégio da língua que era a língua das elites. Perderam em Waterloo e perderam sobretudo em 1940. Têm elites fantásticas mas não têm nenhuma ambição. Como nós, não sabem o que hão-de fazer. É por isso que uma parte da Europa, se tiver de escolher, escolhe a América. Se houver aqui uma ameaça a sério, escolhe a América.