O patrono do LeT

Inter-Services Intelligence (ISI)

Uma peça fundamental no "projecto islamista" do Paquistão, o Inter-Services Intelligence (ISI) é considerado o principal patrono do Lashkar-e-Taiba (LeT).

O ISI foi criado em 1971, como directório do Exército, para obter informações de espionagem e levar a cabo operações clandestinas, mas rapidamente alargou as suas competências. Hoje, define a política externa de Islamabad sobretudo no que se refere à Índia (Punjab e Caxemira) e ao Afeganistão.

Transformado num "Estado dentro do Estado", segundo o historiador francês Olivier Roy, foi o ISI, por exemplo, que impediu a antiga primeira-ministra Benazir Bhutto de aplicar políticas liberais, embora não a tenha afastado do poder. Durante a ocupação soviética do Afeganistão (1979-89), o director-geral do ISI, general Hamid Gul, terá recebido "fundos substanciais da CIA e da Arábia Saudita" e canalizado "cerca de mil milhões de dólares" para a resistência afegã.

Foi também o ISI que se encarregou do treino de jihadistas, fornecendo-lhes instrutores militares. A retirada da URSS não significou o fim da influência e envolvimento do ISI no país vizinho. Os serviços secretos paquistaneses entregaram igualmente armas aos taliban, "colocando à sua disposição aviões com pilotos e mecânicos", e criaram organizações não governamentais (ONG) que usavam como "cobertura", beneficiando financeiramente com o tráfico de droga.

Quem deu ao ISI "o monopólio sobre o apoio logístico às guerrilhas no Afeganistão e na Caxemira" foi o general Zia ul-Haq, no seu processo de islamização do Paquistão. Graças a Zia, o ISI tornou-se "iniciador e supervisor de toda a política regional", em detrimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Embora a liderança do ISI não seja composta de islamistas (com excepção de Gul), o directório tem "usado sistematicamente" os islamistas para satisfazer "interesses nacionais" e caprichos privados.

Além do LeT, o ISI apadrinha movimentos como o Sepah-i Sehaba, o Jaish-i Mohammed e o Hizb-i Islami. Foi também com a ajuda do ISI - e da CIA - que, em 1984, Osama bin Laden "abriu o seu primeiro centro de recepção de [combatentes] estrangeiros em Peshawar". (Fonte: The Columbia World Dictionary of Islamism, editado por Olivier Roy e Antoine Sfeir)