Coelhos onlinePor que é que os dentes dos coelhos crescem ao longo da sua vida?Acidentes "versus" clima

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http://bklynbunny.com/ www.bunspace.com/view_bunnybunid=5622 http://www.facebook.com/pages/Brooklyn-Bunny/6882632079 http://twitter.com/bklynbunny

Dizem-nos que os animais de estimação são bons para o stress - gatos próprios para cardíacos, cães para os candidatos à maratona, periquitos para os olimpistas da linguística. O coelho Roebling está a olhar-nos através do ecrã, no canto de uma sala atapetada enquanto mastiga. Eis que surge alguém de calças de ganga e afaga Roebling. Agora já não está lá ninguém, mas Roebling olha-nos enquanto pula lentamente rumo a uma caneca.

Embora isto pareça uma cena de filmesnuff, em que se aguarda a chegada de uma qualquer Clarisse Starling ou de um Grissom CSI para salvar um refém vigiado pelos seus captores, Roebling é anti-stress: é um coelho anão branco, fofo claro está, bem tratado e ainda mais bem trabalhado na óptica do marketing.

Roebling é mais uma estrela com 15 minutos de fama na Internet, um coelho simpático que também vendeT-shirts, postais, autocolantes, tatuagens temporárias (medo!),widgetse, claro, ímanes de frigorífico epins.Roebling, claro, está no Facebook (quase 600 amigos), no Twitter (76 seguidores) e tem a suahomepage(bklynbunny.com) comwebcam a transmitir em directo.

Os captores de Roebling são, afinal, um conjunto dedesigners- DresserJohnson - que decidiram criar o projecto Brooklyn Bunny em torno do seu animal de estimação. Depois de terem perdido o seu anterior coelho doméstico, Bun, osdesigners, que vivem e trabalham com os seus animais, decidiram criar um serviço de acompanhamento de coelhos. Tal como há serviços debabysitting. Até aqui, nada de novo. "A ideia de umawebcamnasceu daí", para que os clientes pudessem ver como estava o seu coelho na sua ausência, explicou Kevin Dresser aosite Gothamist.

Bom, criaram o siteparaweb-sittingde coelhos e souberam que havia um animal à espera de ser adoptado nas imediações. "Apareceu o Roebling e foi assim que tudo começou. Deixámos a ideia de acompanhamento de coelhos de parte e nasceu Brooklyn Bunny: Live Bunny Cam", resume Kevin Dresser. Claro que além da companhia - e os nossos amigos no Japão já nos mostraram várias vezes como é bom ser amigo dos animais, nem que seja por dez euros por 15 minutos (ver o café de animais de estimação Usagi-To Cafe em Nagoya) -, Roebling dá dinheiro. Omerchandising acaba por ser uma espécie de material coelho-barra-Brooklyn, com motivos e temas associados ao bairro nova-iorquino em que reside.

Até há um MySpace para coelhos - o BunSpace. Onde, claro, Roebling tem o seu perfil - Ok, o BunSpace é uma comunidade onlinepara amantes e donos de coelhos. Mas se há medida de popularidade actual para uma espécie na era dos LOLCats, ela é a profusão desites especiais a eles dedicados.

Portanto, o que é que faz Roebling? Entretém os seus donos. Rumina. Entretém quem o vai ver à sua janelinha para o mundo. Rumina mais um bocadinho. Nova olhadela aofeedque nos mostra Roebling. Está no mesmo sítio, depois de ter saltitado uns dois centímetros até à chávena e voltado. Mas, ao mesmo tempo, Roebling está em todo o lado.aJoana Amaral Cardoso

[email protected]Os dentes dos coelhos são diferentes dos de outros animais porque estes não têm dentição de leite e depois dentição definitiva. Os dentes continuam a crescer ao longo da sua vida, tendo de se ir desgastando para se renovarem e não incomodarem o animal. Trata-se de um dente de raiz aberta - o que também torna inútil a sua escovagem.aJ.A.C.Jornalista

[email protected] m dos piores inimigos de um clima saudável são os acidentes rodoviários. Por clima saudável entenda-se aqui um estado atmosférico que seja conveniente para o ser humano, pois é disso que estamos a falar quando se menciona o aquecimento global. A noção do problema, sejamos francos, é essencialmente antropocêntrica.

Na política internacional, circula um número mágico: dois graus Celsius. Se a temperatura média global subir mais do que isso até ao final do século, então vai ser muito difícil viver neste mundo. Abaixo disso, cá nos safamos. Em torno desse limite, orbita então o universo de práticas amigas do ambiente que temos de adoptar o mais rapidamente possível, se possível já.

Há uma que nos está a escapar: evitar o embate de um automóvel contra o outro. Por obscuras razões do intelecto e da psique, parece haver um tácito consenso nacional sobre a origem dos acidentes. A culpa é sempre de um agente externo, algo ou alguém a cuja existência dedicam-se usualmente doces vocábulos de enaltecimento.

Hoje, por exemplo, é dia de chuva. Aliás, o primeiro dia de chuva a sério depois de quase dois meses de tempo seco e quente, ou seja, o momento certo para os agricultores, que reclamavam apoios para enfrentar a estiagem, começarem a pleitear subsídios por excesso de precipitação. Na rádio, ouço que há inúmeros acidentes nas principais vias de acesso a Lisboa e ao Porto. Não é nada que surpreenda, já que para muita gente a água, mesmo que copiosa, é um fraco dissuasor perante a corrente idolatria ao velocímetro.

Quando a coisa corre mal, então é porque o piso estava molhado ou porque os travões falharam ou porque o condutor da frente é um camelo. Nesse momento, em termos ambientais, o caldo já está entornado. O que poderia ter sido uma oportunidade - aproveitar a chuva para uma condução mais prudente e, por isso, mais ecológica - acaba por se transformar num duplo desperdício.

O primeiro advém da anteriormente mencionada vassalagem à pressa. Cálculos simples demonstram que dez quilómetros por hora a menos na velocidade máxima - 110 ao invés de 120, por exemplo - poupam dez por cento de combustível. Consequentemente, são dez por cento a menos de emissões de dióxido de carbono, reduzindo em dez por cento a contribuição do carro do Zé, da Joana, da Maria e do Pedro para o aquecimento global. Como chove em boa parte dos dias do ano, se nessas alturas todos andassem mais devagar o Ministério do Ambiente, o Al Gore e a Quercus eram os primeiros a agradecer.

Mas não. Há sempre uma fatia importante dos condutores para quem um dia de chuva é como outro qualquer. Consumado o inevitável resultado, outro fenómeno, o da incoercível curiosidade humana, soma ainda mais emissões àquelas que se deixaram de poupar.

Não importa a grandeza do acidente, a existência ou não de vítimas, o nível do amalgamento dos automóveis, a presença ou ausência de carros de bombeiros, de gruas, de reboques ou de câmaras de televisão. Mesmo o toque mais insignificante desperta na mente de qualquer um a imagem da tragédia, esta clássica matéria-prima que a sociedade tanto nutre para aliviar o tédio.

Por isso, das duas uma. Ou o acidente cortou uma, duas ou três vias, deixando o trânsito infernal. Ou o acidente nem sequer merecia a designação mas toda a gente abranda para ver, deixando o trânsito infernal. E o subsequente pára-arranca de milhares de automóveis é o pior que a atmosfera poderia desejar.

Uma metaper capitapara acidentes rodoviários não seria de descartar nas negociações em curso para um novo tratado climático mundial. Enquanto isso, o melhor, em dias de chuva, é andar de transportes.a