Petição on-line contra a venda de cravos transgénicos lilases na União Europeia

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Os cravos devem ter a cor que a natureza lhes deu, diz a petição ENRIC VIVES-RUBIO

Já existem três cravos com cor artificial à venda no mercado comunitário e, neste momento, estão pendentes mais três pedidos de comercialização

a Eles não querem que os cravos transgénicos - lilases ou de outras cores artificiais - sejam vendidos na União Europeia. Querem que os cravos tenham a cor que a natureza lhes deu: rosa, branco, encarnado... Por esta razão, corre uma petição europeia contra a autorização de importação e venda de um cravo transgénico lilás, que tem o apoio das associações antitransgénicos portuguesas, noticiou ontem a agência Lusa. A polémica rebentou na Holanda. Foi neste país que deu entrada o pedido de venda de um cravo lilás, em 2006, que acabou por ter luz verde para tal, para que o processo chegasse ao Conselho de Ministros do Ambiente da União Europeia e fosse lá decidido. A 19 de Janeiro deste ano, o Conselho de Ministros votou a introdução no mercado europeu do cravo: mas como não houve uma maioria qualificada, a decisão foi remetida para a Comissão Europeia, explica a bióloga Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora. "Ao longo dos anos, a Comissão Europeia nunca chumbou um pedido destes. É expectável que este cravo transgénico seja autorizado em breve, mas não há prazos."
A petição on-line destina-se a sensibilizar o Ministério do Ambiente da Holanda, onde o processo começou, mas também mereceu a atenção em Portugal de quem é contra os transgénicos. "Para testar sobre a segurança destas flores, foram utilizadas células embrionárias de ratinhos e de humanos e, tudo isto, por uma mudança de cor. Já temos flores que cheguem na Terra com belas cores, não precisamos de flores geneticamente modificadas com todos os problemas de saúde e ambientais envolvidos", lê-se na petição (pode ser consultada em http://www.gentechvrij.nl).
O cravo na origem da discórdia tem o nome comercial de Moonaqua. Criado pela Florigene, empresa australiana, é agora cultivado no Equador e na Colômbia, de onde é exportado para várias partes do mundo.
O Moonaqua faz parte de uma série de cravos transgénicos com vários tons de azul, desde um azul forte até à púrpura e ao lilás. Tudo começou em 1991, quando cientistas da Florigene isolaram um gene responsável pela cor azul nas pétalas das petúnias, e que logo patentearam. Em 1994, conseguiram produzir o primeiro cravo com pétalas azuis.
Além do gene roubado a flores com pétalas naturalmente azuis, onde também se incluíram as violetas, o cravo Moonaqua teve ainda introduzido um gene da planta do tabaco que é resistente a herbicidas.
Se a Comissão Europeia der luz verde, o Moonaqua será o quarto cravo transgénico desta série a ser importado e vendido no espaço comunitário, indo juntar-se ao Moonshadow, Moondust e Moonlite. Na verdade, o Moonshadow também tem autorização de cultivo na União Europeia, mas tal não está a acontecer, informa Margarida Silva. Para passar efectivamente ao cultivo, o Moonshadow necessita de uma segunda autorização - como planta agrícola, que não tem. Aguardam ainda autorização outros dois pedidos de venda, feitos este ano, de cravos transgénicos com cores alteradas.
Para Margarida Silva, os riscos ambientais que estas plantas ornamentais transgénicas acarretam não se justificam. "É muito difícil justificar os riscos que os transgénicos trazem só para enfeitar a sala. Andam a tentar convencer-nos que os transgénicos devem ser aceites só para matar a fome no mundo. O que vemos no mercado nada tem a ver com matar a fome. Tem a ver com fins financeiros ou com coisas que despertam a curiosidade das pessoas."