Procuram-se voluntários para primeiro laboratório português de sexualidade

Unidade laboratorial sediada na Universidade de Aveiro faz parte de uma rede internacional e está já a dar início ao primeiro estudo

a Portugal passou a integrar um leque ainda muito restrito de países que contam com uma unidade laboratorial de investigação em sexualidade humana. O SexLab, assim se chama o laboratório nacional - bem como a rede internacional no qual se inclui -, acaba de ser criado na Universidade de Aveiro (UA), ao abrigo de uma parceria que envolve também as universidades de Coimbra e Trás-os-Montes. A primeira investigação está prestes a avançar, mas ainda carece de voluntários. Procuram-se um total de 50 homens e 50 mulheres, com idades entre os 18 e os 50 anos e com diferentes habilitações literárias. E o que pretende investigar o SexLab? Em termos gerais, a aposta passa por aprofundar conhecimentos e ampliar as possibilidades de intervenção ao nível de problemáticas associadas às disfunções sexuais, comportamentos de risco, compulsividade e agressão sexual, assim como fornecer pistas para a melhoria do bem-estar sexual de homens e mulheres. No caso particular daquele que será o seu primeiro estudo (com o título A saúde sexual da mulher e do homem: contributos para um modelo de compreensão biopsicossocial), a ideia passa por apurar "quais as variáveis que explicam a resposta sexual, seja ela fisiológica, seja ela mais subjectiva, das pessoas aos estímulos", explica Pedro Nobre, coordenador do SexLab.
Como é que essa avaliação é feita? Numa sala onde é garantida total privacidade, "as pessoas são levadas a observar filmes de conteúdo sexual (que produzem os estímulos sexuais) e, enquanto observam esses filmes, a sua resposta sexual está a ser medida por instrumentos próprios, colocados nos órgãos genitais", explica o investigador. Em simultâneo, são também medidas outras respostas fisiológicas, "como a frequência respiratória e cardíaca", acrescenta Pedro Nobre. No final de cada filme, são também colocadas algumas questões aos indivíduos, para avaliar "sentimentos e emoções, ou seja, as respostas subjectivas aos estímulos".

Três grandes projectosSerá graças a estas avaliações que os seis investigadores que integram o laboratório conseguirão alcançar contributos que permitam, por exemplo, "perceber o que explica a diferença entre homens e mulheres na resposta sexual, bem como perceber a discrepância que existe entre resposta fisiológica e subjectiva (sentimentos e emoções)", especifica o coordenador. Pedro Nobre não tem dúvidas de que este estudo, que deverá ficar concluído dentro de 12 ou 24 meses - dependendo da adesão dos voluntários -, "pode ter implicações para a própria promoção da saúde sexual", na certeza de que "esse bem-estar sexual está muito correlacionado com a saúde física e o bem-estar geral das pessoas".
Apesar de ainda agora estar a dar os primeiros passos, este laboratório, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, já tem na calha outros três grandes projectos de investigação. Um deles pretende debruçar-se sobre "vulnerabilidade psicológica para as disfunções sexuais", revela o coordenador do SexLab. "Depois, pretendemos desenvolver um estudo longitudinal, que pretende avaliar as pessoas ao longo do tempo, anualmente. E temos também um outro, que já começou mas precisa de um novo impulso, e que pretende comparar pessoas de vários países", desvenda ainda Pedro Nobre.
Projectos e campos de estudo não faltam - o responsável do SexLab, com endereço na Internet em http://sexlab.web.ua.pt, é o primeiro a reconhecer que há ainda muito a fazer nesta área de estudo - mas, numa sociedade como a portuguesa, tida ainda como conservadora, a pergunta impõe-se: será fácil encontrar voluntários? "Há 15 anos que investigo esta área e sempre fui surpreendido pela positiva com a disponibilidade das pessoas para participarem em estudos", assevera o investigador. Ainda assim, Pedro Nobre reconhece que o que é agora pedido aos portugueses "é diferente de responder a questionários". De qualquer forma, os responsáveis pelo laboratório fazem questão de assegurar que não existirão constrangimentos para os voluntários, uma vez que a privacidade e identidade dos homens e mulheres são respeitadas ao máximo.