Torne-se perito

Doentes têm mais hipóteses de sobreviver ao cancro em Lisboa do que noutras regiões

Tumores da mama
e da próstata são os mais frequentes no Sul do país, revela estudo. Coordenadora alerta para falta informação e prevenção

a Entre os homens, o tumor mais frequente é o da próstata. Nas mulheres, é o cancro da mama. No entanto, em ambos os casos, depois de diagnosticada a doença, as taxas de sobrevivência a cinco anos são altas, mais na região de Lisboa e Vale do Tejo dos que nas restantes regiões do Sul do país. Estas assimetrias regionais nas taxas de sobrevivência verificam-se em todos os cinco cancros mais frequentes em Portugal - mama, próstata, cólon, traqueia/brônquios/pulmões e estômago -, revela o estudo Os 10 tumores mais frequentes na população portuguesa adulta na região sul de Portugal, no período 2000/2001, feito pelo Registo Oncológico Regional Sul (ROR Sul) e ontem apresentado em Lisboa.
As taxas de incidência, sobrevivência e prevalência dos principais cancros foram comparadas entre Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Região Autónoma da Madeira - a região onde as hipóteses de se sobreviver mais anos são mais baixas -, assim como com o resto da União Europeia (UE). Cinco anos depois de feito o diagnóstico e tratamento, 83 por cento das doentes de Lisboa e Vale do Tejo sobrevive ao cancro da mama, número que desce para os 71 por cento na Madeira. No entanto, a taxa de incidência desta doença nas mulheres de Lisboa é 1,2 vezes superior às das restantes regiões.
A que se deve esta disparidade? Ana Miranda, directora do ROR Sul, responde que "o problema ainda não está estudado", mas levanta duas hipóteses: os tumores chegam ao serviço de saúde já em estado avançado ou os serviços actuam mais rápido em determinadas regiões.
"Estou convicta que será a primeira hipótese", defende, já que desde há um ano todos os hospitais e centros de saúde estão ligados em rede e a circulação de informação sobre os doentes está disponível. "Promovemos o diálogo interinstituições" e também entre os profissionais, diz.
Bem na Europa
Existe um médico para cada dois mil habitantes e quase todos os doentes são diagnosticados e tratados por especialistas, garante. Apenas cinco por cento dos casos identificados dentro da rede - constituída por 40 hospitais públicos, 147 centros de saúde e unidades familiares, o Instituto Português de Oncologia de Lisboa e alguns hospitais privados - são tratados fora.
Comparativamente ao resto da Europa, Portugal não está mal colocado. Se, em casos como o cancro do estômago, o país tem uma das mais altas taxas de incidência (só é ultrapassado pela Estónia e Eslovénia), é o quarto país da UE onde mais doentes sobrevivem ao fim de cinco anos. No cancro da próstata, Portugal tem a terceira taxa de sobrevivência mais elevada, apesar de esta ser a quinta causa de morte entre os portugueses. "A ideia de que se é melhor tratado no estrangeiro não é verdade. Em Portugal fazemos um bom diagnóstico e um bom tratamento", diz Ana Miranda.
As principais apostas devem estar na informação e prevenção através de rastreios, defende Ana Miranda. Os centros de saúde e as farmácias podem ter um papel importante na divulgação dos sinais de alerta. "As medidas que forem agora tomadas só terão repercussões daqui a dez ou 15 anos." O estudo não considerou os cancros de pele, casos identificados por certificado de óbito e dados sobre crianças até aos 15 anos. Estes últimos estão a ser analisados e vão ser publicados ainda este ano. O ROR Sul abrange uma população de cerca de quatro milhões e 700 mil pessoas.
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O ROR Sul, que abrange cerca de 4,7 milhões de pessoas, é um dos maiores registos oncológicos regionais da UE

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