Do nevoeiro surgiu um golo de Fidalgo e a vitória do Nacional

O FC Porto apresentou-se na Madeira com uma equipa de segundo plano e, num jogo quase sem visibilidade, pouco fez para merecer outro resultado

a Muito nevoeiro, visibilidade demasiado reduzida (o que levou a pensar-se que o jogo pudesse vir a ser interrompido a qualquer momento), um FC Porto de segundo plano e um Nacional que fez tudo para ganhar. Foi o que ontem foi possível ver no Estádio da Madeira, num jogo a contar para a Taça da Liga. Os madeirenses, que tinham de ganhar, estiveram quase sempre melhor: conseguiram adiantar-se no marcador, aos 22', mas acabaram por consentir o empate num erro grosseiro de Alonso, que Sapunaru aproveitou para empatar. O romeno pegou na bola, deu dois passos e arrancou um remate de fora da área que estabeleceu a igualdade. Mas o melhor futebol dos homens da casa acabou por dar resultado a cinco minutos do final, num remate de Miguel Fidalgo à boca da baliza. Um resultado que coloca a equipa da Madeira com possibilidades de seguir em frente.
Mas, além da vitória do Nacional, a partida ficou marcada pela falta de visibilidade. Quem se encontrava nas bancadas pouco viu. O próprio treinador do Nacional só soube do segundo golo quando os jogadores correram para ele a festejar. Não tinha visto. Talvez por isso no final tenha referido que "o espectáculo aconteceu, só que não foi visível". Jesualdo Ferreira, por exemplo, no final da partida disse que não estava em grandes condições de falar sobre o jogo porque pura e simplesmente não tinha conseguido ver grande parte dos lances. "Falar dos jogadores? Posso elogiar o sacrifício, mas não posso dizer muito mais porque não vi grande parte dos lances", referiu.
Manuel Machado não mexeu muito na equipa que venceu em Paços de Ferreira. Mas Nuno Pinto surgiu como lateral-esquerdo e Alonso em terrenos mais avançados. Os madeirenses foram sempre melhores. Logo aos 6', Nené rematou ao poste. Na sequência do lance, Edson, de fora da área, acertou em cheio em Stepanov. Mas, aos 23', a equipa da casa chegou ao golo: Mateus cabeceou, o guarda-redes Nuno defendeu, mas a bola ficou na pequena área, surgindo Ruben Micael a empurrar para o fundo da baliza.
Mesmo em vantagem, o FC Porto nunca conseguiu assumir o comando da partida. Esteve até mais perto de sofrer, como aconteceu aos 29', quando Mateus rematou por cima da barra.
O FC Porto, que não contou com dez dos habituais titulares, acabou por chegar ao empate devido a uma asneira enorme de Alonso, que isolou Sapunaru. O romeno aproveitou e, com um remate forte, empatou a partida, quando estavam decorridos 36 minutos. O empate deixava o Nacional fora da prova e Manuel Machado apostou tudo no ataque. Substituiu o infeliz Alonso por Miguel Fidalgo e, aos 65', reforçou ainda mais a capacidade ofensiva da equipa com a saída de Edson e entrada de Fabiano.
Jesualdo também mexeu no "onze". Fez entrar Rabiola, que tinha marcado frente ao Setúbal, e o jovem avançado até teve um bom remate, aos 72', após um bom trabalho de Guarín na direita. Mas pouco mais se viu. Quando já poucos acreditavam na vitória da equipa da casa, Miguel Fidalgo, aos 85', aproveitou uma defesa incompleta de Nuno a remate de Luís Alberto para fazer o 2-1 final.
Jogo no Estádio da Madeira, no Funchal.
Assistência cerca de mil espectadores.
Nacional Rafael Bracalli, Patacas,F. Lopes, Maicon, Alonso (M. Fidalgo, 46'), Edson (Fabiano, 66'),
Nuno Pinto, Ruben Micael (B. Amaro, 83'), L. Alberto,
Mateus e Nenê.
FC Porto Nuno, Sapunaru (D. Viana, 77'), Stepanov, P. Emanuel, Benitez, Bollati, Guarín, T. Costa, Mariano, Candeias (Rabiola, 70') e Farías.
Árbitro Lucílio Baptista, de Setúbal.
Amarelos Luís Alberto (39'), Alonso (39'), Stepanov (39'), Benitez (43'), Sapunaru (52') e M. Fidalgo (85').
Golos 1-0, por Ruben Micael, aos 23'; 1-1, por Sapunaru, aos 37'; 2-1, por Miguel Fidalgo, aos 85'.
Nacional 2
FC Porto 1
Manuel Machado
Treinador do Nacional

"As condições foram más, mas iguais para as duas equipas. O Nacional entrou melhor, teve uma bola no poste logo no início e a seguir chegou ao golo. Mas, mais uma vez, cometemos um erro que nos custou o empate. Arrisquei tudo, acabámos o jogo em 4x2x4 e conseguimos ganhar. Agora dependemos apenas de nós para seguir em frente nesta
prova. Queremos ir longe".

Jesualdo FerreiraTreinador do FC Porto

"Queríamos ganhar, mas ainda temos mais um jogo para conseguir o apuramento. No sábado recebemos a Académica. Sobre este jogo, não posso falar muito, porque não vi grande parte. Quanto à equipa que apresentei aqui, tem a ver com a gestão do plantel e aproveitar para dar minutos a jogadores menos utilizados porque podem ser importantes numa altura em que estamos envolvidos em quatro competições".
Ruben Micael
Marcou o primeiro golo e esteve em quase todas as jogadas ofensivas do Nacional. Na segunda parte, quando Manuel Machado apostou tudo no ataque, Ruben foi quem segurou o meio-campo.

NevoeiroCom as condições meteorológicas que se registavam no Estádio da Madeira, o mais aconselhável seria adiar o jogo. Quem se encontrava nas bancadas, pouco ou nada viu. Os treinadores queixaram-se do mesmo.

FC PortoJesualdo Ferreira apresentou uma equipa B, mas isso, por si só, não justifica uma exibição tão apagada. Nunca conseguiu mandar no jogo e o empate teve mais a ver com erros alheios do que com mérito próprio.

AlonsoAlonso é normalmente um dos pilares do Nacional, mas ontem cometeu um erro grave: um passe atrasado que isolou Sapunaru e quase deitou por terra uma exibição superior do Nacional. Foi substituído.