O defesa-goleador Sidnei fura a resistência dos sem-salário

Quique Flores consegue, pela primeira vez, três triunfos consecutivos, mantém a distância para o FC Porto e afasta-se do Sporting

a "A melhor defesa é o ataque." Este é um dos chavões mais antigos do futebol e o Benfica parece querer dar--lhe um novo sentido. É que, mais do que atacar para não sofrer golos, a equipa de Quique Flores começa a apoiar-se em defesas-goleadores para surpreender os adversários. O central Sidnei marcou ontem pela terceira vez no campeonato e deu a vitória (1-0) frente a um Estrela da Amadora aguerrido que faz das fraquezas (e dos salários em atraso) um factor de união.Sidnei, um jovem de 19 anos, já é o segundo melhor do Benfica na Liga, atrás de Cardozo. E dos 14 golos já apontados pelos "encarnados" no campeonato, quase metade (seis) foram apontados por defesas: além dos três de Sidnei (que tinha marcado ao Sporting e ao V. Guimarães), Luisão, Maxi Pereira e Jorge Ribeiro também já acertaram nas redes adversárias.
A tendência dos goleadores do Benfica é, em parte explicada, pela eficácia da equipa nos lances de bola parada. Ontem, porém, não foi disso que se tratou. Sidnei foi mais o elemento surpresa que conseguiu finalmente quebrar a resistência do Estrela. Comandada por outro jovem central, Nuno André Coelho, a barreira defensiva da formação da Amadora aguentou 50 minutos, até que um dos muitos cruzamentos do Benfica parou nos pés de Nuno Gomes, que na sua melhor acção em toda a partida, descobriu Sidnei livre, que marcou da maneira mais inesperada possível: um remate de pé esquerdo ainda fora da área.
O golo deu início ao melhor período dos "encarnados", que nos cinco minutos seguintes podiam ter feito mais dois golos, quando um remate de Carlos Martins foi cortado in extremis e Moreno quase fazia autogolo. Duas jogadas em que David Suazo saiu da monotonia que o atacou em quase todo o encontro.
Antes e depois do golo e destes cinco minutos "à Benfica", a equipa de Quique Flores deixou mais dúvidas do que certezas frente a um Estrela da Amadora a quem faltou algo mais nos metros finais. Foi apenas uma equipa de pré-avisos de contra-
-ataques, mas muito aguerrida, como quem protesta dentro de campo por esta época só ter recebido prémios de jogo.
Além da saga dos sem-salário no futebol português, o jogo de ontem ficou marcado pela incógnita sobre o esquema táctico que Quique Flores iria utilizar. O espanhol escolheu pela segunda vez o 4x4x2 em losango - o que promete intensificar as discussões -, desta vez com Katsouranis no vértice mais defensivo. Com Aimar e Carlos Martins em campo era esperada maior criatividade, mas nem por isso o Benfica dispôs de mais oportunidades de golo. O Benfica usou e abusou dos cruzamentos, um caminho pouco indicado quando do outro lado há dois centrais acima do 1,90m e Cardozo estava sentado no banco.
E a verdade é que mesmo dominando o jogo e rematando muito (mas mal), o Benfica saiu para o intervalo com apenas uma oportunidade de golo flagrante, desperdiçada por Suazo, quando (25') surgiu isolado e rematou para a bancada. Antes já o Estrela tinha criado um lance de idêntico (ou até maior) perigo, com o central Nuno A. Coelho a cabecear para uma grande defesa de Quim. Foi a melhor oportunidade do Estrela, que acabou o jogo a tentar pressionar o Benfica. Mesmo assim, o espanhol somou pela primeira vez três triunfos seguidos no campeonato (o que não acontecia no clube há quase um ano).
Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência 36.529 espectadores
Benfica Quim 6; Maxi Pereira 6, Luisão 5, Sidnei 7, Jorge Ribeiro 6; Katsouranis 5, Yebda 5, Carlos Martins 5 (Binya -, 80'), Aimar 6; Nuno Gomes 6 (Reyes 5, 64'), Suazo 6 (Cardozo -, 85').
E. Amadora Nélson 6; Hugo Gomes 5, Mustafá 6, Nuno A. Coelho 7, Moreno 4; Alexandre 6, Vidigal 6, Celestino 5 (Téti 4, 64), Jardel 4 (Pedro Pereira -, 87'); Silvestre Varela 5, Ndiaye 4 (Anselmo -, 77').
Árbitro João Capela 6, de Lisboa. Amarelo Luisão (15')
Golo 1-0, por Sidnei, aos 50'.
Benfica 1
Estrela 0