Torne-se perito

30 edições de ModaLisboa em 15 minutos

Hoje começa a 30ª edição da ModaLisboa. 15 factos e histórias que marcaram 17 anos de moda. Jane Birkin, John Galliano, Internet e
visuais extravagantes da mais antiga iniciativa de apresentação sistemática de moda e criadores portugueses. Por Joana Amaral Cardoso

1. A primeira ModaLisboa
Em 1990, o então vereador do Turismo da Câmara de Lisboa, Vítor Costa, abordou dois jovens criadores, Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro, para fazer uma mostra de moda portuguesa para as festas da cidade. Convite aceite, com uma condição: que a dupla pudesse depois apresentar um projecto de moda a longo prazo à autarquia.
A 18 de Abril de 1991, nascia a ModaLisboa e Ana Salazar era a primeira a fazer desfilar a sua colecção no Teatro São Luiz. Pela primeira vez, havia uma semana de moda portuguesa a tentar impor-se no calendário internacional. Foram três dias de desfiles no Chiado, com Luís Barbeiro, Luís Buchinho, Júlio Torcato, Lena Aires, José António Tenente, Nuno Eusébio, Abbondanza/Matos Ribeiro, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves e Manuela Gonçalves.

2.
A extravagância
As primeiras edições eram um verdadeiro acontecimento. Os convites eram cobiçadíssimos. A imprensa da época mostrava-se surpreendida com os visuais mais invulgares e com o que via em cima da passerelle. O Diário de Notícias descrevia o público como "extravagante". "Cabelos repletos de gel com formatos originais e roupas cujos cortes são difíceis de fixar para quem lida diariamente com vestuário simples", lia-se em Abril de 1991.

3.
Assalto e espírito
de equipa
Na primeira ModaLisboa reinava a entrega e o espírito de equipa. Lena Aires já tinha tudo pronto no seu atelier. Mas o espaço foi assaltado na véspera do desfile e a criadora ficou sem acessórios. Reza a história que Luís Barbeiro lhe emprestou parte dos acessórios da sua colecção para colmatar a falta.

4.
Quem tem medo
de John Galliano?
Hoje, é o criador inconfundível da casa Dior. Mas em 1993, quando a ModaLisboa, em parceria com a SIC (que pagava 50 mil euros pelas imagens de Galliano), quis convidá-lo a mostrar o seu trabalho em Portugal para captar a atenção dos média internacionais, separaram-se as águas da moda portuguesa. Um grupo de criadores (Ana Salazar, Manuel Alves/José Manuel Gonçalves, Olga Rêgo, José António Tenente e Nuno Gama) insurgiu-se contra o protagonismo que Galliano iria ter na ModaLisboa e boicotou a iniciativa. "Provincianismo", "borla", queixaram-se os criadores. Resultado: nem Galliano, nem organização da ModaLisboa - Eduarda Abbondanza, Mário Matos Ribeiro e a directora de produção Isabel Branco abandonaram o projecto. Na altura, a jornalista Catarina Portas e o produtor de moda Paulo Gomes perguntaram, num artigo na revista Vida, "Quem tem medo de John Galliano?" A frase estampou-se numa t-shirt posta à venda no Bairro Alto.

5.
Regresso
high-tech
O caso Galliano marcou o início de um período conturbado e o regresso da ModaLisboa deu-se quase três anos depois, em Dezembro de 1996, em versão high-tech. No mesmo ano em que a moda portuguesa era ofuscada pela ida de Claudia Schiffer ao Porto, através do Portugal Fashion, a ModaLisboa foi a segunda estrutura do mundo a transmitir desfiles na Internet e até emprestou telefones com vídeo-conferência para o público comunicar com os bastidores.

6.
As casas
da ModaLisboa
A passerelle da ModaLisboa já teve muitas casas. Começou no Teatro São Luiz, passou para o Cinema Tivoli (1992), depois para o Museu da Marinha (1993), esteve nos Armazéns Abel Pereira da Fonseca (1996), na Cordoaria (1996) e na Gare Marítima de Alcântara (1997) e, após a Expo 98, no Pavilhão de Portugal e na Torre Vasco da Gama. O Museu da Cidade (1999) acolheu os desfiles, que também foram ao Convento do Beato (2002) ao Armazém Terlis (2003, 2004, 2005), ao Museu da Electricidade (2006) e ao Armazém 23 (2006). No ano passado, esteve no Museu de História Natural, mas a 29ª edição já foi na Cidadela de Cascais (2007).

7.
Cascais
A mudança para Cascais foi estranhada pelos convidados regulares da ModaLisboa. ModaLisboa em Cascais? A ruptura com o executivo da Câmara de Lisboa de Carmona Rodrigues fez a ModaLisboa migrar para a Linha e com ela foram novos públicos, mas também muitos dos tradicionais convidados.

8.
Os ícones
A ModaLisboa criou não só uma montra para a moda feita em Portugal, mas espaços para o aparecimento de novos nomes. Dino Alves, o eterno enfant-terrible da moda portuguesa, estreou-se na ModaLisboa em 1997 e continua a fazer dos desfiles performances. No último desfile, ele foi um robô prateado a dançar na passerelle e já se sabe que com Dino há espectáculo garantido. Desde que regressou à ModaLisboa em 2006, Filipe Faísca é saudado com palmas efusivas e ovações em pé, raras na ModaLisboa.

9.
Sangue Novo
Um nicho para descobrir novos nomes foi o concurso Sangue Novo. Maria Gambina venceu em 1992 e 1993 e, além de ser presença regular na passerelle, é uma das criadoras mais comercializadas e ligadas à indústria. Osvaldo Martins venceu em 1997 e volta pela segunda vez nesta trigésima edição a mostrar a sua nova marca, a ADD.UP. Lara Torres (2003) e Sara Lamúrias (2004) continuam na ModaLisboa desde que venceram o concurso Sangue Novo.

10.
Os convidados
A ModaLisboa sempre procurou trazer criadores estrangeiros a Portugal. Houve o fiasco Galliano, mas também a muito saudada Sonia Rykiel, em Março de 2004. Ficou para a história da ModaLisboa o facto de ter sido palco da primeira apresentação de Felipe Oliveira Baptista, português radicado em França