Presidente apela ao aumento de natalidade na Guarda e quer uma nova visão para o interior

Cavaco Silva aproveitou a multidão de crianças para dizer que está preocupado com o número reduzido
de bebés que nascem no país

a Há muito tempo que Cavaco Silva não via tantas crianças juntas. Foi o próprio que o disse depois de entrar no Instituto de S. Miguel, na Guarda. A chegada começou por ser discreta, mas à medida que foi percorrendo os diversos corredores do edifício não teve mãos a medir para as 500 crianças e jovens que o acolheram com palmas. Muitas palmas. As crianças surgiam como cogumelos. Cavaco pegou nelas ao colo e deu muitos apertos de mão. Tantos, que a determinada altura, entre um sorriso de admiração, não evitou um "eh pá!", como quem pergunta, "de onde saíram tantas?". Na hora dos discursos, o chefe de Estado dirigiu-se aos mais pequenos. Adaptou o tom de voz para gente de palmo e meio. "É uma alegria estar no meio de tantas crianças", afirmou. A frase não era inocente. Cavaco queria deixar um apelo ao aumento da natalidade. "Não posso deixar de estar muito preocupado porque nascem poucas crianças", afirmou, tendo em conta que Portugal é um dos países onde nascem menos bebés por ano na União Europeia.
O chefe de Estado diz que é preciso inverter as previsões que apontam para que dentro de 30 anos Portugal tenha 7 milhões de habitantes em vez dos actuais 10 milhões. A responsabilidade de alterar a situação não é da exclusiva responsabilidade do Governo e da Assembleia da Republica. "Cabe a todos nós", sublinhou. E deu um exemplo: o Instituto de S. Miguel, com diversas valências para crianças e que Cavaco disse ter de aplaudir. E até lamentou não ter conhecido a instituição na altura em que foi primeiro-ministro. "É uma falha imperdoável", admitiu.
Cavaco referiu-se à instituição de solidariedade social, dizendo que se trata de uma demonstração de que nem tudo tem de ser feito pelo Estado. Instituições idênticas "podem fazer muito pelo nosso país" porque podem usar melhor os recursos do que se os dinheiros ficassem na totalidade na administração pública.
O Presidente da República, que ontem iniciou uma visita de dois dias ao distrito da Guarda, foi conhecer o local onde está a ser construída a Plataforma Logística da Guarda de Iniciativa Empresarial (PLIE) e que o chefe de Estado espera que venha a ser o espelho de "uma nova visão do interior do país".
O projecto da PLIE, anunciado em 2000, tem sofrido sucessivos atrasos. Em 2008, Cavaco espera encontrar mais do que "camiões de terra e passeios". No próximo ano espera ver empresas instaladas, com jovens empresários que "queiram apostar" no interior do país. Cavaco Silva deixou uma recomendação: "Temos de mostrar aos outros que merecemos atenção."
Cavaco afirmou que infra-estruturas deste género, com um investimento previsto de 34 milhões de euros, "têm de ser vendidas". "É preciso fazer o trabalho de casa para que as empresas se instalem e não ficar à espera que elas cheguem."